Neste fim de semana, mais duas mortes em Florianópolis elevaram para 61 o número de homicídios na Capital. Em todo o ano passado ocorreram 79 assassinatos na cidade. O delegado da Homicídios, Ênio de Oliveira Mattos, se reservou em falar sobre a apuração dos fatos para não atrapalhar as investigações. Apenas resumiu: “Estamos trabalhando”. Ele se refere ao tiroteio envolvendo facções na Costeira. Há fortes comentários no meio policial, mas ainda não confirmados, de que o traficante Sérgio de Souza, o Neném da Costeira, que cumpre pena no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, teria decretado a entrada do PCC (Primeiro Comando da Capital) na comunidade, onde por muitos anos ele comanda o tráfico de drogas.

No sábado (8) morreu Maico Ramos, 33, um dos baleados na chacina no morro da Costeira, que ocorreu na última quarta-feira (5). Conhecido como Jamaica, ele estava na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional de São José. Outros dois feridos no tiroteio, Felipe Machado, 19, e Adalberto da Silva Júnior, 23, continuam hospitalizados. Morreram no confronto Christopher Carlos da Rosa, o Fofão; Igor Mazonim Leite Soares, e Samuel Rosa da Silva.
Em outra ocorrência no sábado, Isaias Machado, o Borel, morreu em confronto com a Polícia Militar, no bairro Pantanal. Borel era investigado por homicídio na Capital e estava com mandado de prisão ativo. Segundo a polícia, o assassinato de Borel não está relacionada à chacina no morro da Costeira.
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Neném da Costeira e o PCC
Neném da Costeira sempre foi assediado pelos líderes das facções, mas como tinha o irmão Danilo cuidando dos negócios, nunca abriu mão da rentável soberania do tráfico de drogas. Com o irmão preso, no entanto, acusado de ser o mandante do assassinato no Mercado Público de Vilmar de Souza Júnior, 29, o Juninho, no mês passado, é possível que ele tenha acertado com o PCC.
A facção rival PGC (Primeiro Grupo Catarinense) teria invadido morro com cerca de 15 homens armados de fuzil, em resposta ao decreto do traficante. Nesta segunda-feira, o delegado da Homicídios vai ao hospital conversar com os médicos para saber se os sobreviventes têm condições de falar.
A guerra entre as facções criminosas que disputam o negócio milionário do tráfico de drogas em Florianópolis sempre esteve na pauta de investigação da segurança pública. Entretanto, não consegue conter o avanço da violência. Pelo menos é o que pensa o consultor de segurança pública Edson Souza, entrevistado pelo jornal Notícias do Dia na edição de domingo. Outros críticos enxergam falta de comando na Segurança Pública.
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