Após um casal de ambientalistas sofrer um atentado na última terça-feira (28), em Guaramirim, Norte de Santa Catarina, uma das vítimas decidiu falar sobre o caso. Germano Woehl acredita que o motivo dele e da esposa serem alvos do ataque é porque defendem a natureza.
Ambientalistas sofreram atentado em Guaramirim – Foto: Montagem a partir de fotosO ambientalista destaca que não faz ativismo, mas para os infratores eles são sempre uma ameaça que precisa ser eliminada.
“Defender a natureza no Brasil é uma atividade de alto risco, essa é a verdade. Nós estamos defendendo as RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural), que são nossa propriedade. O direito a propriedade é garantido pela Constituição. Muitos acham que por ser uma área com mata nativa, aquilo não tem dono, que pode entrar, caçar, soltar gado. Se fosse uma área de agricultura ou pastagem, eles respeitam, mas como é mato, não”, acrescentou.
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Na última terça-feira (28), a residência onde o casal mora – na RPPN Santuário Rã-bugio – foi alvo de tiros. Os disparos atingiram a porta da garagem e também um vidro da porta de entrada do imóvel. Um deles atingiu o local da mesa onde um dos ambientalistas costuma ficar horas trabalhando no computador.
Conforme o relatório da Polícia Militar, o atirador estava em uma motocicleta, e de posse de uma espingarda cano curto calibre 12, parou na estrada e deu três tiros em direção à casa. Após os disparos, o motociclista fugiu do local.
Os dois ambientalistas trabalham como voluntários e criaram diversas RPPNs em Itaiópolis e Guaramirim lutando pela conservação da biodiversidade.
Investigação
O atentado ao casal é investigado pela Polícia Civil. O delegado Eric Issao Uratani -responsável pelos trabalhos investigativos – destaca que ainda não é possível identificar quem foi o responsável pelos disparos. No entanto, salienta que a equipe de investigadores já trabalha no caso.
“Estamos tentando levantar as imagens, mas foi em um local afastado. Estamos com certa dificuldade, ainda não temos nada de concreto que indique a autoria”, explicou.
Conforme o delegado, as vítimas devem ser ouvidas para auxiliar com mais informações que possam ajudar na investigação.
Local onde um dos disparos atingiu – Foto: Arquivo/Divulgação/ND