O rompimento do reservatório de água da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), na madrugada de quarta-feira (6), na rua Luís Carlos Prestes e redondezas, no bairro Monte Cristo, região continental de Florianópolis, atingiu 386 pessoas, deixou dois feridos, pelo menos um animalzinho morto e um cenário de destruição que lembra um filme apocalíptico.
Desastre com reservatório da Casan destruiu centenas de casas – Foto: Leo Munhoz/NDPara os moradores que acordaram por volta das 2h da madrugada com a água invadindo suas casas e levando tudo abaixo, as cenas que viveram podem ser comparadas a um verdadeiro filme de terror.
O episódio é mais um na Capital catarinense envolvendo a Casan que pode ser chamado de tragédia anunciada. Entre os atingidos do Monte Cristo está o aposentado João Pedro Moraes, 62.
SeguirEle relata que sempre vazava água da estrutura, tudo registrado em vídeos e fotos para a Defesa Civil, que recebeu da Casan a informação de que se tratava de teste. “Não foi por falta de aviso…. E a Casan não pode dizer que não sabia”.
Estrutura foi inaugurada em janeiro de 2022 – Foto: Leo Munhoz/NDA estrutura que rompeu custou R$ 6,6 milhões aos cofres públicos e foi inaugurada em 25 de março do ano passado. Bastaram dois meses para surgirem as primeiras denúncias indicando fissuras e vazamentos. Avisada, a Defesa Civil de Florianópolis pediu esclarecimentos à estatal, que negou falhas e informou a realização de testes e correções.
Não é possível afirmar que a tragédia no reservatório no Monte Cristo, que rompeu com pelo menos 2 milhões de litros de água, arrastando e destruindo casas, carros, árvores e tudo que havia pela frente tenha relação com as primeiras denúncias dos moradores.
Porém, o Grupo ND obteve a informação de que a Defesa Civil foi acionada por moradores, em maio de 2022, depois que eles viram água vazando do reservatório.
O órgão foi três vezes ao local e fez um comunicado a Casan pedindo laudo técnico, ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) e o projeto da obra, afinal, uma estrutura recém-inaugurada estava, aparentemente, apresentando algum tipo de reforma, ou demandando manutenção.
A resposta da estatal do governo veio em junho do ano passado informando que o reservatório estava em testes, ainda sem utilização, e que os pequenos pontos de infiltração estavam dentro da normalidade.
Além disso, mandou ARTs assinadas por engenheiros atestando a segurança da obra e que os moradores, por falta de entendimento, poderiam achar que se tratava de alguma falha. A estatal também assegurou que correções estavam em andamento nos pontos de infiltração.
Desastre com reservatório da Casan destruiu centenas de casas e carros – Foto: Leo Munhoz/ND“O procedimento para encher os reservatórios foi executado pelo setor operacional, atendendo os procedimentos internos da companhia, carregando os reservatórios de forma lenta. O teste de estanqueidade de um reservatório é um procedimento comum e utilizado para apontar pequenos pontos de infiltração. Neste caso, foi a primeira vez que foi colocado água nos reservatórios, porém, pela falta de informação dos moradores de que se tratava de um teste, os mesmos acionaram Defesa civil e Bombeiros”, disse a estatal. Como recebeu ARTs, com responsáveis técnicos credenciados pelo Crea, a Defesa Civil partiu do princípio de que estava tudo certo.
A tragédia no Monte Cristo é um agravante na estremecida relação da Capital com a Casan. Embora o município seja o principal cliente da estatal do governo nos serviços de água e saneamento, o prefeito quer romper o contrato com a estatal caso a obra paralisada na estação de tratamento de esgoto do Rio Tavares não tenha um plano exequível apresentado até o mês que vem.
A intenção da prefeitura é lançar uma licitação e contratar uma nova empresa para solucionar os problemas de saneamento no Sul da Ilha.
Companhia paga um salário mínimo às famílias atingidas pelo rompimento do reservatório
O presidente da Casan, Edson Moritz, afirmou na noite de quarta ao ND Notícias que a companhia pagará ainda nesta quinta-feira (7) um salário mínimo e uma indenização prévia aos moradores do Monte Cristo que tiveram casa e bens materiais destruídos.
Tragédia mudou a rotina de praticamente 400 pessoas desde a madrugada de quarta-feira (6) – Foto: Leo Munhoz/NDEle não informou se o valor será do salário mínimo nacional ou regional. Uma indenização prévia, ainda sem valor definido, também deve ser paga até segunda-feira (11).