A defesa do jovem de 18 anos responsável pela chacina na escola Infantil Pró-Infância Aquarela, em Saudades, no Oeste de Santa Catarina, pediu novamente um exame de sanidade mental do autor. A intenção é submeter o jovem a um tratamento psicológico caso seja comprovado que ele possua algum tipo de transtorno.
Tragédia em Saudades deixou cinco mortos – Foto: Willian Ricardo/NDO advogado Demetryus Eugenio Grapiglia compartilhou um vídeo nas redes sociais explicando o caso no último domingo (16). “Se for comprovado que ele [autor da chacina] não tenha condições de entender seus atos, então ele é uma pessoa doente, irracional, que não consegue entender o caráter das suas atitudes”, afirma o advogado.
O jovem foi indiciado por cinco homicídios triplamente qualificados e uma tentativa de homicídio. Enquanto ainda estava hospitalizado, ele teve a prisão preventiva decretada e ao receber alta foi levado ao Presídio Regional de Chapecó.
SeguirO primeiro advogado alocado para defender Fabiano deixou o caso após a conclusão do inquérito. Ele chegou a fazer um pedido para exame de sanidade do jovem um dia após o crime. Na ocasião, a solicitação foi negada pela Justiça.
A defesa entende que o jovem deveria ser submetido a um tratamento psiquiátrico. “Caso comprovado que ele é doente, ele deve ser tratado como tal. Não pode ficar em um presídio, ou qualquer tipo de estabelecimento prisional. Ele deve ser conduzido a um tratamento adequado”, reforça. Grapiglia ainda pede pressa para que se defina se o jovem é inimputável ou não.
“Num segundo momento, se constatado que ele realmente é uma pessoa capaz de entender seus atos, então ele passa a ser um criminoso. Ele fatalmente será condenado”, admite a defesa.
“O que se entende é que se realize logo o exame de sanidade mental em função de que uma vez ele não tendo capacidade de seus atos, vai faltar justa causa. Justa causa é um termo usado quando não há motivo para se propor uma ação penal”, explica o advogado.
A reportagem do ND+ entrou em contato com a assessoria do TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), que afirmou que não há prazo para resposta do pedido.
Motivação do crime
Grapiglia disse que conversou com o jovem sobre o que teria motivado o crime, porém, segundo a defesa, o jovem diz que não “consegue entender o que teria acontecido com ele”.
“Ele disse que foi interrogado pela Polícia Civil, que eles fizeram algumas perguntas. Provavelmente ele nem sabia o que estava respondendo”, diz o advogado.
A defesa ainda discorda que tenha havido premeditação dos fatos. “Pode ser que venha a se confirmar esse diagnóstico, porém, o que eu discordo é uma afirmativa tão precisa. Tão no início da situação se afirmar que ele é uma pessoa responsável por seus atos”, afirma a defesa.
Relembre o caso
O jovem de 18 anos invadiu a escola Infantil Pró-Infância Aquarela na manhã do dia 4 de maio. Armado de uma katana, uma espada japonesa, ele desferiu golpes contra uma professora e uma agente educacional. Quatro crianças menores de 2 anos também foram feridas por ele. Três morreram.
Em frente a escola, muitas flores e mensagens foram deixadas às vítimas da chacina que matou cinco pessoas – Foto: Willian Ricardo/NDApós atacar as vítimas, o jovem ainda desferiu golpes contra o próprio corpo. Ele foi levado ao hospital em estado grave, recebendo alta dias depois.
O único sobrevivente do ataque foi um bebê de 1 ano e 8 meses. A criança teve alta após ficar hospitalizada por seis dias e passou por uma cirurgia no pulmão.
Quem são as vítimas
A primeira vítima identificada foi a professora Keli Adriane Anieceviski, de 30 anos. Já a segunda foi a agente educativa Mirla Amanda Renner Costa, de 20 anos. A informação foi confirmada pela secretária de educação de Saudades, Gisela Hermann.
Vítimas do ataque a creche em Saudades – Foto: Montagem/NDJá as crianças foram identificadas como Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses, Anna Bela Fernandes de Barros, de 1 ano e 8 meses e Murilo Massing, de 1 ano e 8 meses.