A defesa do servidor da mesa diretora da Câmara de Vereadores de Florianópolis, Gustavo Silveira, quebrou o silêncio e falou com exclusividade ao portal ND Mais sobre os mandados cumpridos hoje pela Operação Presságio.
O advogado de Silveira comentou sobre a operação policial que investiga suspeitas de corrupção e crimes ambientais em Florianópolis e, segundo ele, inocência de seu cliente. Até as 15h30 desta quinta-feira (18), Silveira ainda não havia sido ouvido pela polícia.
Defesa de investigado alega inocência em caso de corrupção em Florianópolis – Foto: Arquivo/Marco Santiago/NDDe acordo com a defesa do assessor, não existe nenhum mandado de prisão coercitiva em nome de Gustavo. O que há é um mandado de busca e apreensão para o apartamento do cargo comissionado, localizado no Estreito, região continental de Florianópolis.
SeguirA defesa alega que “Gustavo não tem nada para esconder de ninguém e vai responder a todas as perguntas. Essa é a atitude de quem não deve nada, né? Ele quer se apresentar o mais rápido possível para encerrar esse problema gigante que causa uma dor de cabeça“, afirma.
Quanto aos demais investigados, além de Gustavo Silveira, dois secretários municipais de Florianópolis são alvos da operação da DEIC (Diretoria Estadual de Investigações Criminais) nesta quinta-feira (18).
Segundo informações exclusivas do portal ND Mais, os nomes seriam o Secretário Municipal de Turismo, Cultura e Esporte, Ed Pereira, e o Secretário Municipal do Meio Ambiente, Fábio Braga.
Na Câmara de Vereadores da Capital, além de Gustavo Silveira, a esposa de Ed Pereira, Samantha dos Santos Brose, também foi alvo da operação. Durante a ação, policiais civis entraram na câmara e saíram posteriormente carregando malotes de documentos.
Quem é Gustavo Silveira?
Gustavo Silveira, além de ocupar o cargo político na Câmara, também se apresenta como CEO de uma empresa de eventos. Na internet, o CEO aparece ao lado de diversos nomes da música da Capital e participa de eventos que reúnem figuras importantes da política local.
A empresa de eventos não apenas atende políticos, mas também organiza festas para públicos de médio e grande porte em casas de shows de Florianópolis. Procurada, a empresa não se manifestou sobre o envolvimento de Gustavo na operação ou se o cargo como CEO será deposto. O espaço segue aberto.
A operação de Florianópolis
A investigação teve início em janeiro de 2021, após a constatação de um crime ambiental de poluição em um terreno próximo à Passarela Nego Quirido, na região central da capital catarinense.
Durante a greve da COMCAP, uma empresa terceirizada, encarregada da coleta de lixo, realizou transbordo de resíduos de maneira inadequada, a poucos metros da Baía Sul.
A empresa, sediada em Porto Velho (RO), foi contratada emergencialmente, sem processo licitatório, devido à greve da Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital), declarada em 20/01/2021.
Segundo a Polícia, intrigantemente, a empresa já havia anunciado em suas redes sociais, em 29/12/2020, a contratação de pessoal para trabalhar em Florianópolis, especificamente para vagas relacionadas à coleta de resíduos.
A operação recebeu o nome de presságio devido à suspeita forma como a empresa estabeleceu o contrato com o município, indicando uma previsão de eventos futuros. O contrato foi assinado em 19/01/2021, um dia antes da decretação da greve.
Segundo as investigações, os envolvidos teriam arquitetado um esquema ilícito para contratar a empresa terceirizada durante a greve da COMCAP. Surpreendentemente, mesmo após o término da greve, a empresa continuou prestando serviços de coleta, sem licitação, por aproximadamente dois anos.
A greve da COMCAP durou 10 dias, enquanto o contrato vigorou por 17 meses.
A operação revelou outros arranjos ilícitos, incluindo repasses de valores de uma Secretaria Municipal, por meio de contratos de fomento, para uma instituição não governamental.
No total, 80 policiais civis de diversas delegacias especializadas da DEIC, DIC de Palhoça, DIC São José, Polícia Civil de Brasília e de Porto Velho/RO participaram da operação.
A ação contou ainda com o acompanhamento da Comissão de Prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil Santa Catarina)– Subseção de Florianópolis/SC.
Durante as buscas, realizadas nesta quinta-feira (18), nas residências dos investigados e em seus locais de trabalho, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, especialmente telefones celulares, e documentos relacionados aos fatos sob apuração.
O espaço segue aberto para esclarecimentos por parte dos envolvidos, que até o momento não retornaram às mensagens da redação.
Esposa de secretário exonerada
Em nota divulgada ao final da tarde desta quinta (18), o vereador Marquinhos (PSC) informou que a assessora Samantha dos Santos Brose, esposa do secretário Ed Pereira, foi exonerada. Confira o comunicado na íntegra:
“Gostaríamos de esclarecer a composição de nossa equipe no gabinete. Temos servidores dedicados a atividades externas, buscando demandas da população, e outros responsáveis por serviços burocráticos internos.
Cada membro desempenha funções específicas, visando eficiência e transparência. Além disso, informamos que a servidora Samantha foi exonerada hoje. É crucial destacar que as ações em questão não têm vínculo com este mandato.
Estamos à disposição para contribuir com informações às autoridades, assegurando total cooperação. Samantha responderá pelas ações conforme as investigações, sujeitando-se às devidas consequências legais.”