Delegado explica frase ‘pedófilo é forca’ em caso de pai morto pelo filho, em Tijucas

Até então nenhum indício de abuso foi identificado e rapaz evitou falar do tema; suspeitas oscilam entre latrocínio e homicídio qualificado

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Redação ND Florianópolis

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A Polícia Civil investiga a motivação do assassinato de Sérgio Pimentel, de 54 anos, morto a facadas pelo filho adotivo em Tijucas, na Grande Florianópolis. O autor o crime, de 19 anos, sugeriu que matou o pai devido a supostos abusos sexuais cometidos por ele contra crianças, mas nenhum indício foi encontrado até esta sexta-feira (1º).

Dizeres escritos pela filho adotivo após matar pai em TijucasRapaz escreveu dizeres na geladeira que são investigados pela Polícia Civil – Foto: PMSC/Divulgação/ND

O caso ocorreu nesta terça-feira (28). Pimentel foi encontrado por um amigo que estranhou o sumiço e foi até a sua casa – os filhos não souberam informar o paradeiro do pai. Após pular o muro e invadir a residência, encontrou a vítima dentro do quarto com as mãos amarradas, as calças abaixadas e uma sacola na cabeça.

Na porta da geladeira estava escrito a frase ‘pedófilo é forca’. O crime foi confessado pelo filho adotivo do homem, encontrado dirigindo o carro de Pimentel em Porto Belo. Foram encontrados com ele quase R$ 24 mil em espécie e cerca de uma grama de droga, além de duas facas.

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Conforme o delegado Aderlan Angelo Camargo, da comarca de Tijucas, a motivação do crime ainda não é clara. No depoimento, o suspeito “estava muito arredio e sugeriu que o pai abusava sexualmente de crianças, mas ele não se aprofundou. Não há por enquanto nenhuma comprovação de que seja verdade”, explica.

O crime configuraria homicídio qualificado. Uma das suspeitas é que o rapaz utilizou a acusação como artifício para desviar o foco da investigação, com o objetivo de dificultar a captura pelos policiais. O jovem está preso em Tijucas.

Diferentes suspeitas

A polícia também apura possível latrocínio: roubo seguido de morte. Uma das testemunhas, entretanto, relatou que o dinheiro encontrado é fruto da herança da mãe, morta em agosto de 2020. Há também testemunhas que apontam o contrário. 

O inquérito policial deve ser concluído em cerca de dez dias. Elucidar as circunstâncias é importante também porque ambos os crimes, latrocínio e homicídio qualificado, tem penas, desdobramentos e tramitações diferentes. O último, por exemplo, prevê a realização de júri popular.

“Estamos cumprindo uma série de diligências e ouviremos mais familiares para entender a motivação”, detalha o delegado. Três passagens criminais já foram registradas contra o rapaz: duas por ameaça e uma por posse de drogas. Não há ocorrências contra o pai.

A sanidade do rapaz também é investigada. “Foi colhido um caderno do rapaz com dizeres que não faziam sentido. Não tinha nada com lógica”, segundo o delegado. O material está em análise. Sérgio Pimentel foi sepultado nesta quinta (30) no cemitério Municipal de Tijucas. Ele era solteiro e deixa cinco filhos e cinco netos.

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