Denúncias contra professor de Gaspar flagrado com pornografia foram feitas há dois meses à SED

Fontes que preferiram não se identificar disseram ao ND+ que a denúncia contra o professor foi feita no dia 22 de junho. Até o momento, o afastamento não foi oficializado no Diário Oficial do Estado.

Raquel Bauer Blumenau

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O caso do professor da escola Honório Miranda, em Gaspar, no Vale do Itajaí, que foi preso em flagrante no último dia 16 de agosto pela Polícia Civil com pornografia de alunas no celular e notebook, teve novos desdobramentos.

Professor foi preso pela polícia civil em Gaspar – Foto: Raquel Bauer/ND/Divulgação PCSCProfessor foi preso pela polícia civil em Gaspar – Foto: Raquel Bauer/ND/Divulgação PCSC

Isso porque até o fechamento desta matéria, o afastamento do professor ainda não havia sido publicado no DOE (Diário Oficial do Estado). Um estudante da escola que preferiu não se identificar por medo de represálias disse ao Portal ND+ que os alunos estão com medo.

“Nós, alunos, estamos muito preocupados que até o presente momento a escola/gestão não recebeu nenhum documento de afastamento do professor que foi preso. Todos os dias nós estamos olhando no Diário Oficial e nada. Estão todos correndo o risco de a qualquer momento o professor entrar em sala. Estamos entrando em pânico”, desabafa o estudante.

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Segundo a SED (Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina), a publicação deve ser feita ainda nesta segunda-feira (22).

Novas informações

Além disso, outra denúncia que chegou até o ND+ é que a direção da escola teria protocolado a denúncia e pedido o afastamento do professor à CRE (Coordenadoria Regional de Blumenau) no dia 22 de junho, há exatas dois meses.

Conforme informações repassadas por uma segunda pessoa que preferiu não se identificar, as CRE recebeu a denúncia na data e diz ter repassado para a SED. “Porém, uma pessoa da SED me informou que só tomou conhecimento do caso no dia em que o professor foi preso e que jamais o suspeito poderia ter ficado tanto tempo em contato com as vítimas. Um absurdo isso tudo”, disse indignado.

Contraponto

O coordenador regional de Educação, Jadir Booz, diz que essa não é a informação verdadeira. Segundo ele, o dia 22 de junho foi a data da última ata feita pela escola Honório Miranda. “Eles nos mandaram posteriormente. Quando chegou aqui, a coordenadoria fez todos os trâmites legais e encaminhou para a SED. Como agora o processo corre em sigilo, nós não conseguimos acessar, então, não tenho como dizer uma data exata, mas nós devemos ter mandando para eles no início de julho”, explica o coordenado.

Ele ainda destacou que assumiu a coordenação da CRE na terça-feira (16), mesmo dia em que o professor foi preso e que quando soube da notícia, imediatamente ligou para a escola e informou que o professor não poderia mais entrar no educandário. “Essa medida foi tomada e depois fizemos o comunicado para a secretaria pedindo o afastamento preventivo dele. Isso é o que nos cabia fazer naquele momento. Aqui na coordenadoria nós estamos tranquilos que aquilo que cabia a nós, nós fizemos”, ressalta.

O que diz a SED

A reportagem questionou a SED (Secretaria de Estado da Educação) sobre a data em que a pasta recebeu a denúncia, mas, por meio de nota foi informada que “por se tratar de um processo sigiloso, a SED não está autorizada a repassar mais informações sobre o caso”. Leia a nota na íntegra:

A Secretaria de Estado da Educação (SED), por meio da Coordenadoria Regional de Educação de Blumenau, esclarece que já encaminhou a abertura de um processo administrativo disciplinar para apurar mais informações sobre o caso envolvendo o professor da Escola Honório Miranda, de Gaspar, com afastamento preventivo do docente. A formalização desse encaminhamento deve ser publicada nesta segunda-feira (22) no Diário Oficial do Estado (DOE).

O professor não está frequentando a escola por estar afastado por motivo de saúde, de forma que seguirá afastado da unidade escolar até o encerramento da apuração. Por se tratar de um processo sigiloso, a SED não está autorizada a repassar mais informações sobre o caso.

O caso é acompanhado pelo Núcleo de Atenção e Prevenção à Violência na Escola (NEPRE), que também seguirá adotando as medidas cabíveis diante do caso. A SED reforça que repudia qualquer tipo de violência, dentro ou fora das escolas da rede estadual, e preza por um ambiente escolar harmonioso e acolhedor.

Atestado médico

Na última sexta-feira, (19), a escola Honório Miranda recebeu um atestado médico do professor. O coordenador da CRE, Jadir Booz, disse que o atestado chegou apenas nesta segunda-feira (22) para eles.

“Nós marcamos uma perícia para o professor e o perito do Estado é que vai dizer quantos dias ele vai ficar afastado, mas independentemente disso, corre por trâmites legais para que seja publicado o afastamento dele que a gente pediu. Até porque nós dependemos disso para colocar outro professor no lugar dele, para que os alunos não sejam prejudicados”, informou Booz.

De acordo com informações, o professor é filho de uma ex-diretora de escolas da região.

Relembre o caso

No dia 16 de agosto, a Polícia Civil prendeu em flagrante um professor de 31 anos que leciona na escola Honório Miranda, de Gaspar, no Vale do Itajaí, por suposto crime de armazenamento de fotografias ou vídeos contendo cenas de sexo explícito e pornográfica envolvendo estudantes da instituição de ensino.

O suspeito foi localizado em sua residência, no bairro Fortaleza, em Blumenau. Após ser informado do teor do mandado de prisão, as buscas se iniciaram e, no quarto do suspeito, foram localizados e apreendidos dois notebooks, dois pen drives e um aparelho celular.

No celular do professor foram encontradas fotografias pornográficas das adolescentes, que registraram o boletim de ocorrência, e de uma terceira aluna da escola, todas menores de idade.

O homem foi preso em flagrante, mas foi colocado em liberdade após ter pagado a fiança arbitrada pela Autoridade Policial. Agora ele responderá ao processo em liberdade.

O delegado responsável pela investigação, Bruno Fernando, informou que há ainda outro inquérito policial instaurado para apurar o crime de assédio sexual, supostamente praticado pelo professor em desfavor de alunas da mesma escola.

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