O pedido de demissão de Akira Sato da Delegacia Geral de Polícia Civil abriu a primeira crise político-administrativa nesta nova fase do governo Carlos Moisés. Na origem, fatos considerados graves sobre as razões que provocaram a saída do delegado apenas duas semanas depois de posse.
E segundo informações de bastidores já transmitidas a alguns deputados, Akira saiu por se negar a arquivar investigações sobre irregularidades envolvendo oficiais militares muito próximos do governador. Estes inquéritos tratam de processos no porto de São Francisco do Sul e a compra de softwares pela Secretaria da Administração.
Akira Sato cumprimenta Carlos Moisés em evento em Joinville, no dia 17, quando assumiu o cargo – Foto: Julio Cavalheiro/Divulgação/NDO secretário, coronel Jorge Tasca, emitiu nota oficial no fim de semana contestando irregularidades e sustentando que o processo sobre informática foi o mesmo aplicado pelo Ministério Público Estadual.
SeguirA demissão de Akira Sato estava decidida na quinta-feira (30) à noite. E depois de três dias, o governo silenciou totalmente sobre a crise na estrutura da segurança pública, que é maior do que este episódio, pelo evidente descontentamento da corporação com a reforma previdenciária.
Com isto, cresceu o terreno fértil de denúncias e de iniciativas das oposições. O deputado Kennedy Nunes, presidente do PTB, abriu baterias e chegou a falar em nova CPI na Assembleia. Já o deputado Ivan Naatz, líder do PL, quer ouvir o delegado Akira Sato, o sucessor e o delegado que comanda os inquéritos policiais.
A crise deverá ter desdobramentos na área política. O MDB, que tem um segmento a favor da filiação de Carlos Moisés e sua candidatura à reeleição, poderá refluir se surgirem fatos novos ou provas das denúncias.
O MDB, afinal, tem a maior bancada e pode blindar o governador.