Os desdobramentos da fraude no ponto de médicos em Joinville

Ministério Público pediu diligências complementares e o caso voltou para Polícia Civil de Joinville; médicos são suspeitos de fraudarem o ponto

Redação ND Joinville

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Mais de um ano depois da operação do “Ponto Fraudado” deflagrada pela DIC (Divisão de Investigação Criminal) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) a fim de apurar fraudes no registro do ponto eletrônico de médicos do Hospital Regional de Joinville, ainda não há um desfecho.

carro da polícia civil em frente ao hospital regional de joinvilleOperação foi deflagrada no dia 15 de dezembro de 2020 – Foto: Adriano Mendes/NDTV

Isto porque o Inquérito Policial foi concluído em janeiro de 2021 e todos os médicos foram indiciados por falsidade ideológica com a agravante de ter ocorrido durante a pandemia da Covid-19.

“A conclusão das apurações é que os médicos pretendiam demonstrar um comparecimento que comprovadamente não ocorria. E isso para obter a criação de uma obrigação para o hospital referente a necessidade dos pagamentos de seus vencimentos, a partir da alteração de fato juridicamente relevante, pois declaravam estar no local em momentos e dias nos quais não estavam”, disse, à época, o delegado Rafaello Ross, que conduz as investigações.

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Ocorre que o Ministério Público pediu diligências complementares. Dessa forma, o caso voltou para a Polícia Civil.

“Realmente houve pedido de complementação de diligências pelo MP”, confirmou Ross.

“O MP solicitou complementação de diligências e aguarda a conclusão do IP. Mais informações não podem ser prestadas neste momento em razão do segredo de Justiça. Ainda não há ação penal. Antes da ação penal há ainda a análise da tipicidade da conduta, com possibilidade de arquivamento e posteriormente a possibilidade de formulação de ANPP (acordo de não persecução penal) ou apresentação de denúncia à Justiça. A Promotoria de Justiça aguarda o encaminhamento de documentos requisitados para a referida análise”, complementou o Ministério Público.

fachada do hospital regional de joinvilleFoto: Adriano Mendes/NDTV

Relembre o caso

A investigação, realizada pela equipe da DIC (Divisão de Investigação Criminal) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), apontou que ao menos 11 médicos registravam a entrada no hospital, deixavam a unidade sem cumprir a jornada de trabalho e voltavam horas depois para registrar a saída. Por conta disso, os médicos foram alvos de uma operação no dia 15 de dezembro de 2020.

Todos os médicos são concursados e têm salários entre R$ 9 mil e R$ 20 mil por mês para uma jornada de 80 horas mensais. À época, o Hospital Regional abriu uma sindicância e afastou os médicos citados na operação.

Durante a investigação, inclusive, um dos médicos chegou a ser flagrado em um motel no horário de expediente. Além disso, no cumprimento dos mandados de busca e apreensão, dois médicos foram pegos dormindo, ao invés de estarem trabalhando no hospital.

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