As investigações acerca do acidente na ponte pênsil, na divisa entre SC e RS, ganharam um novo rumo nesta quinta-feira (23), após o corpo de Brian Grandi, jovem desaparecido, ser localizado nesta manhã na orla da Praia Azul, em Passo de Torres.
‘Devia estar interditada’, tragédia em ponte entre SC e RS é investigada como homicídio culposo – Foto: NDTV“Tínhamos aberto um inquérito para apurar em tese o rompimento de um dos cabos da ponte. Claro, tínhamos indício forte de que esse rapaz teria caído na água, pelo fato dele permanecer desaparecido por três dias”, explicou o delegado Maurício Pretto, em entrevista à Record TV.
Com a localização do corpo de Brian, o objeto de investigação da polícia passou a ser o crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e eventuais lesões corporais culposas de pessoas que possam ter se ferido com a queda da ponte.
SeguirO acidente ocorreu na madrugada de segunda-feira (20) e cerca de 30 pessoas precisaram ser retiradas do Rio Mampituba, após um dos cabos da estrutura se romper. Das vítimas, 18 procuraram unidades de saúde para atendimento, mas já foram liberadas.
“Ponte deveria estar interditada”
O delegado listou uma série de irregularidades observadas na ponte que podem ter provocado o acidente, como corrosão excessiva, diferença de ancoragem entre os lados, falta de controle de pessoas, entre outros.
“Conversando com os peritos, já percebemos diversos problemas estruturais que indicam que a ponte não deveria estar operando, porque o risco de queda, independentemente, do excesso de pessoas ou mau uso era iminente. A ponte deveria ter sido interditada”, afirmou.
Ainda segundo ele, há cerca de 60 dias houve um outro incidente no local: um barco de pesca ficou preso na estrutura da ponte. “Isso deve ter gerado alguma abalo estrutural, mas foi liberada. É prudente que tivesse sido interditada. Poderia ter sido bem pior”, explicou.
Prefeitura alega que fazia manutenções
Segundo a Prefeitura de Passo de Torres, serviços de manutenção dos cabos de sustentação das cabeceiras e a troca de pranchas de madeira eram feitos com frequência.
A administração municipal também informou que houve uma manutenção preventiva três dias antes do ocorrido, com reparo nos cabos, tirantes, tela e estrados.
“Não tínhamos relatos nem sinal que houvesse algum tipo de dano na estrutura que gerasse um acidente dessa natureza. O que se percebe é que foi uma sobrecarga no número de pessoas”, disse, em entrevista, o prefeito de Torres, Carlos Souza, no dia do acidente.
Os bombeiros estimam que mais de 50 pessoas passavam pela ponte quando um dos cabos rompeu, porém, conforme a prefeitura, a capacidade máxima era de 20 pessoas por vez.
Imagens que flagraram o acidente sugerem que havia aglomeração no local. Além disso, jovens aparecem se balançando e pulando sobre a ponte, o que é proibido por placas.
Momento em que a ponte entre SC e RS se rompe – Vídeo: Internet/Reprodução/ND
“Por mais que tenha ocorrido excesso de pessoas, o fator Carnaval também facilitou o salvamento, porque foi de madrugada, mas havia muitas pessoas ao redor que auxiliaram no salvamento. Isso reduziu o número de pessoas feridas e tivemos infelizmente um óbito”, comentou o delegado.
Luto
A morte do jovem Brian, de 20 anos, causou comoção. O corpo foi encontrado pela manhã na orla da Praia Azul, antes da Bellatorres, em Passo de Torres. A prefeitura decretou luto por três dias.
Quem é o jovem que bombeiros buscam no rio após queda de ponte pênsil entre SC e RS – Foto: Internet/Reprodução/NDEm nota, a administração municipal também se solidarizou com os amigos e familiares de Brian e agradeceu as forças de segurança, que atuaram por quatro dias nas buscas pelo jovem.
Natural de Caxias do Sul, Brian havia se mudado para Torres há cerca de três meses. Na noite de domingo (19), ele foi para o lado catarinense curtir o Carnaval com amigos e, desde então, não retornou mais para a casa.