Dos explosivos ao escudo-humano: as semelhanças entre os assaltos de Araçatuba e Criciúma

Mesmo modus-operandi do "novo cangaço" foi usado por quadrilha na cidade paulista na madrugada desta segunda-feira (30)

Maria Fernanda Salinet Florianópolis

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Com explosivos, carros blindados e fortemente armados, bandidos assaltaram três agências bancárias no Centro de Araçatuba, interior de São Paulo, na madrugada desta segunda-feira (30). As cenas de terror se assemelham às vividas em Criciúma, que chocaram o país em dezembro do ano passado.

Semelhanças dos assaltos em Criciúma e Araçatuba remetem a modus-operandi do “novo cangaço” – Foto: Montagem/NDSemelhanças dos assaltos em Criciúma e Araçatuba remetem a modus-operandi do “novo cangaço” – Foto: Montagem/ND

Como ocorreu na cidade catarinense, a operação orquestrada na cidade paulista envolveu múltiplos assaltos, movimentação pelas ruas durante a madrugada e reféns usados como escudo-humano.  Algumas entradas da cidade também foram fechadas pela quadrilha para evitar que reforços policiais cheguem ao local.

O modus-operandi  se assemelha ao “novo cangaço” ou o “cangaço moderno”, segundo o delegado Anselmo Cruz, titular da Delegacia de Roubos e Antissequestro da DEIC (Diretoria Estadual de Investigações Criminais).

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“Assim como aconteceu uma dúzia de vezes antes de Criciúma. Não significa que seja a mesma quadrilha ou que foi inspirada na ação, mas sim o mesmo modus-operandi do ‘novo cangaço’ foi utilizado”, aponta o delegado.

Na cidade do Sul catarinense, dezenas de bandidos em veículos de luxo cercaram os acessos do município e renderam moradores e funcionários municipais que realizavam a limpeza das ruas. A ação foi considerada o maior assalto na história de Santa Catarina.

Quadrilha assalta bancos e faz reféns em Araçatuba, interior de São Paulo – Foto: Divulgação/NDQuadrilha assalta bancos e faz reféns em Araçatuba, interior de São Paulo – Foto: Divulgação/ND

Em Araçatuba, houve troca de tiros com a polícia. Pedestres e motoristas foram feitos reféns. Nos vídeos publicados por moradores, é possível ver pessoas sendo usadas como escudo-humano para a fuga da quadrilha.

Segundo a Polícia Militar, ao menos carros foram utilizados na ação, a exemplo da operação em Criciúma. Os explosivos foram usados para destruir as agências e praticar os roubos.

Ainda na manhã desta segunda, a orientação é que a população permaneça em casa. As aulas das escolas municipais foram suspensas, o que também foi recomendado à rede estadual. O transporte público foi suspenso no Centro do Município.

Em Criciúma, foram roubados cerca de R$ 80 milhões. Até as 9h desta segunda, não foram divulgadas informações do valor arrecadado na operação paulista.

Mortos e feridos

Segundo informações do Uol, há quatro homens sendo atendidos na Santa Casa de Araçatuba. Três foram atingidos por tiros: um homem de 28 anos, baleado no abdome; outro de 31 anos, baleado no rosto e nos braços, que está intubado, e outra vítima, também de 31 anos, ferida nas pernas, braços e na cabeça de raspão. Já um homem de 25 anos foi atingido por um explosivo e sofreu amputações nos dois pés.

A Policia Civil de Araçatuba informou que há pelo menos três mortos, entre eles, dois civis. Um foi encontrado em um carro e o outro, caído na rua. O terceiro é um criminoso, morto durante confronto com a polícia no bairro rural Taveira.

Suspeitos presos

Três suspeitos de envolvimento ao assalto foram presos pela polícia nesta manhã. Um outro homem morreu em confronto com a polícia na área rural de Araçatuba, no interior de São Paulo. As informações são da Record TV.

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