As lembranças da amiga de longa data ainda estão na mente de Márcia Archanjo. Cinco dias após descobrir sobre a morte de Albertina Schmitz Tasca, de 61 anos, ela tenta entender o que aconteceu entre os dias 2 e 6 de janeiro na casa localizada no bairro Iririú, em Joinville.
Albertina Schmitz, de 61 anos, foi encontrada morta nesta quarta-feira (6), no bairro Iririú – Foto: Redes Sociais/DivulgaçãoO corpo de Tina, como era chamada, foi encontrado no banheiro de casa após a família desconfiar do paradeiro da idosa, que não dava notícias desde sábado. O autor do crime é o filho adotivo dela, Leonardo Schimitz Tasca, que foi preso em flagrante.
Durante o depoimento, ele confessou o crime e chegou a dizer que levou amigos até a casa para beber no fim de semana, enquanto o corpo da mãe permanecia trancado no banheiro. Segundo o delegado Roberto Patella, no interrogatório, ele pareceu tranquilo e não demonstrou remorso.
Seguir“Ela nunca demonstrou que algo estava ruim”
Márcia conhece Tina há aproximadamente 20 anos. As duas costumavam jogar vôlei juntas. Ela relembra que a amiga era alegre, divertida e nunca falava mal de ninguém, nem dos filhos, no qual nutria um amor incondicional.
“Ela nunca relatou nenhum tipo de problema. Acho que ela saia e deixava eles [problemas] em casa. Quando falava dele e da filha, era sempre de uma maneira feliz e tranquila”, relata Márcia.
A chegada de Leonardo à família foi a realização de um sonho de Tina. Mãe de uma menina, ela sempre teve vontade de ter mais um filho. Segundo Márcia, após ver que não podia mais engravidar, ela acabou adotando Leonardo.
“Eu lembro quando a gente ia jogar e ele ficava ali brincando com as bolas. Quando ela apareceu com ele pela primeira vez ela disse ‘olha o que eu ganhei’. Ela adorava aquele menino”, relembra.
A amiga conta, ainda, que a mulher resolveu não se mudar para Pato Branco, no Paraná, com o marido por causa do filho. Segundo ela, o jovem não queria ir para cidade paranaense.
“Ela comentou que teria que ir para Pato Branco, porque o marido havia sido transferido da empresa para lá. Ela não foi por causa do Léo. Ela até disse que era porque não tinha gostado da cidade, mas eu senti que não foi por isso, foi por causa do menino mesmo. Ela adorava ele, tanto que a Tina sempre dizia que ele era parceiro dela”, pontua.
Márcia conhecia Albertina há cerca de 20 anos – Foto: Adriano Mendes/NDTVAmiga ficou chocada ao descobrir o crime
O carinho da mãe pelo jovem era tão evidente que Márcia ficou chocada ao saber que Leonardo foi o responsável por tirar a vida da mãe.
“Eu não acreditei. Quando me falaram que foi ele, eu disse ‘não é possível’. Ela nunca deixou que ninguém tivesse uma má impressão do menino. Depois que passa a gente fica imaginando ‘o que ela não deve ter passado com ele?’. Não sei que loucura deu nele para chegar nesse ponto”, indaga.
A tristeza pela companheira de dezenas de partidas ainda é evidente no semblante de Márcia. A amizade era tanta, que ela não teve nem forças de ir ao enterro da amiga.
“Eu fiquei tão mal que não consegui ir ao enterro. Não tive coragem. Não ia ter estômago para ficar lá, porque se uma pessoa morre de um acidente, uma doença, você encara de um outro jeito. Agora você vê uma pessoa que você ama cortar tua vida, é muito triste”, diz.
Filho suspeito de matar a própria mãe foi preso em Joinville na tarde de quarta-feira (6) – Foto: Ricardo Moreira/NDTVAutor segue preso preventivamente
Após ser detido em flagrante, Leonardo teve a prisão em flagrante convertida para preventiva na quinta-feira (7). Ele segue preso no Presídio Regional de Joinville.
Leonardo deve ser indiciado por feminicídio qualificado por motivo fútil majorado pela idade da mãe e, além disso, por furto qualificado por abuso de confiança e por se tratar de uma vítima idosa.
*Com informações do repórter Juan Todescatt, da NDTV