“É uma sensação de renascimento. Agora ele tem uma nova data de aniversário”. Foi assim que Tatiane Vieira, irmã de um dos caminhoneiros vítima de roubo e cárcere em Joinville, no Norte de Santa Catarina, definiu o domingo (3), dia em que o irmão foi encontrado e salvo pela polícia.
Visão interna do galpão onde os caminhoneiros foram mantidos reféns – Foto: Maikon Costa/NDTVO irmão de Tatiane foi uma das vítimas da falsa promessa de frete que terminou em roubo. Os criminosos roubaram os caminhões, sedaram os motoristas e abandonaram os homens em um galpão na zona Oeste da cidade.
Tatiane, que também é assessora do Ministério Público em outro estado, conta que conseguiu conversar com os policiais. “Eles contaram que um dos motoristas conseguiu fugir, foi encontrado por moradores que acionaram a polícia depois de estranhar ao vê-lo amarrado e assim conseguiram encontrar o barracão”, lembra.
SeguirEla conta, ainda, que não desconfiava do que se passava com o irmão porque ele estava respondendo às mensagens enviadas por WhatsApp pela família.
“Ele estava dando notícias, mandava mensagens, áudios, mas não atendia ligações. Ele tem o hábito de fazer ligações de vídeo com a minha cunhada e com meus pais, mas não atendia. Achamos estranho, que estava bravo com algo, mas nunca sequestrado porque ele respondia as mensagens”, diz.
A polícia revelou que os caminhoneiros eram obrigados a entrar em contato com os familiares, para que não desconfiassem do crime.
A irmã fala, ainda, que o último contato do irmão foi na manhã de domingo. “Depois percebemos que a voz estava meio nervosa, mas na hora não porque ele estava respondendo tudo e desde sexta-feira ele estava falando até domingo de manhã. Então, ele não falou mais. O último contato dele era dizendo que estava voltando para casa, que estava a umas duas horas de casa”, conta. “Agora, ele está bem, não está machucado, mas muito nervoso, traumatizado”, finaliza.
O delegado regional Rafaello Ross explica que os três chegaram a Joinville de maneiras distintas e que sequer se conhecem. Eles foram rendidos e entorpecidos com substâncias desconhecidas até que foram encontrados na tarde de domingo.
Ross afirma, ainda, que já solicitou exame toxicológico para identificar quais substâncias foram utilizadas para dopar os caminhoneiros. “Caíram na mesma situação e ficaram no mesmo galpão amarrados e entorpecidos, mas não se conhecem”, diz.
Ainda segundo o delegado, em princípio, pelas informações apuradas pela polícia são três criminosos envolvidos na ação. “Pelo que colhemos são três, mas pela dinâmica, certamente há mais envolvidos”, salienta.
Os caminhoneiros são de Londrina (PR), São Paulo (SP) e Araranguá. Até o momento nenhum caminhão foi localizado.