Em cárcere privado, mulher era chamada de “macaca” por companheiro em Campo Alegre

Além de agressões físicas, vítima, de 32 anos, sofria tortura psicológica de cunho racista durante os quatro meses em que esteve confinada à força

Luana Amorim Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

“Macaca”. “Negra suja”. Esses eram alguns dos xingamentos que uma mulher, de 32 anos, recebeu durante os cerca de quatros meses que permaneceu em cárcere privado em Campo Alegre, no Planalto Norte catarinense.

O principal suspeito, um homem, de 39 anos, foi preso em flagrante nesta segunda-feira (29) após o caso ser descoberto pela Polícia Militar.

Vítima foi mantida em cárcere privado por cerca de quatro meses – Foto: PixabayVítima foi mantida em cárcere privado por cerca de quatro meses – Foto: Pixabay

Segundo o delegado Fábio Estuqui, a situação teve início após o homem quebrar o celular – para impedir que ela falasse com familiares e amigos – e esconder os documentos pessoais da vítima. Além disso, ele a impedia de sair de casa sem a companhia dele e praticava agressões físicas e psicológicas contra ela.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Após uma denúncia anônima, a PM localizou o casal na tarde desta segunda-feira (28). A mulher foi encontrada com um hematoma no olho.

“O homem foi preso em flagrante. Eles estavam junto há aproximadamente dois anos. Durante o depoimento, ele negou todos os fatos”, explica o delegado.

O homem deve responder pelos crimes de lesão corporal, cárcere privado e injúria racial – este último devido as ofensas racistas sofridas pela vítima que é negra. Ele já tinha outras passagens criminais por violência.

Ainda nesta segunda, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva e o suspeito foi encaminhado ao Presídio de Mafra.  Já a mulher, que é natural de Curitiba, ficou aos cuidados da assistência social de Campo Alegre.

Tópicos relacionados