Conhecido empresário catarinense, que comprou frigorífico da vítima na Encosta da Serra gaúcha, vira réu como mandante do homicídio. Quase quatro anos depois do crime, um badalado empresário catarinense e dois supostos comparsas viram réus pelo assassinato de Adélcio Haubert, 65, ex-vice-prefeito de Santa Maria do Herval. O juiz de Dois Irmãos, Miguel Carpi Nejar, aceitou a denúncia contra os três. Eles devem ir a júri. O crime, conforme o Ministério Público, teve motivação financeira.
Frigorífico foi o motivo do crime. – Foto: Divulgação/ND
Haubert era dono do frigorífico Boa Vista, que já foi o maior empregador e fonte de receita de Santa Maria do Herval. Em maio de 2018, decidiu vender o frigorífico para o empresário catarinense C.B.C. A tradicional firma estava em recuperação judicial. O comprador, que ostentava negócios com artistas de renome nacional e prometia reerguer o frigorífico com pesados investimentos, fez uma proposta irrecusável. Ofereceu R$ 10 milhões, parcelados, com o compromisso de sanar todas as dívidas e financiamentos. A expectativa do expressivo investimento combinou com as aparências. C.B.C passava a imagem de empreendedor bem-sucedido. Já chegou de helicóptero à empresa, de forma triunfal, impactando positivamente funcionários e a população. Mas não pagava o antigo dono, nem honrava as dívidas. A produção começou a cair ainda mais. O negócio promissor começava a se revelar um calote milionário. Haubert passou a cobrar a dívida com frequência, pessoalmente, no frigorífico. Incomodado com as cobranças, conforme o Ministério Público, C.B.C mandou matar o credor.
SeguirDe acordo com a denúncia do promotor de Justiça, Bruno Amorim Carpes, encaminhada ao fórum, o empresário delegou o assassinato a dois funcionários de confiança. O principal cartão de visita do catarinense era se apresentar como sócio de cantores sertanejos. O empresário criciumense ostentava empreendimentos com o artista na Grande Florianópolis. Há fotos e declarações dos dois em projetos da construção civil e na criação de cavalos, publicados nas redes sociais e na imprensa, em 2015. Nos últimos anos, o suposto mandante comprou várias empresas, de diferentes ramos, em recuperação judicial. No Rio Grande do Sul, o frigorífico da vítima seria a única. Parou de funcionar cerca de dois anos após a compra, no auge da pandemia. A extensa estrutura predial está fechada. A maioria das empresas adquiridas está em Santa Catarina, mas há também no Paraná e em São Paulo. O acusado de mandante é de Criciúma e tem endereço de moradia em área nobre de Florianópolis. Fonte Portal Abcmais