Entenda porque as irmãs mortas pelo padrasto em SC foram sepultadas quase um mês depois

Emily e Kemily, de 5 e 8 anos, foram achadas enterradas em uma área de banhado no interior de Novo Horizonte; mãe e padrasto também apareceram mortos

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Redação ND Chapecó

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Quase um mês após serem encontradas mortas e enterradas em um banhado na Linha Mezari, interior do município de Novo Horizonte, no Oeste de Santa Catarina, as irmãs Emily e Kemily, de 5 e 8 anos, foram sepultadas na manhã desta quarta-feira (18).

Emily e Kemily foram sepultadas no mesmo cemitério que a mãe. – Foto: Arquivo Pessoal/NDEmily e Kemily foram sepultadas no mesmo cemitério que a mãe. – Foto: Arquivo Pessoal/ND

O sepultamento ocorreu em um cemitério do município de Campo Erê, o mesmo onde a mãe Neusa Dias Maciel, de 24 anos, foi enterrada. O corpo de Neusa foi achado enterrada próximo da casa onde ela, o companheiro Ademar Caneiro, e as filhas viviam, no dia 22 de dezembro de 2022.

Ademar também foi encontrado carbonizado no próprio carro, no dia 20 de dezembro. O veículo onde estava o corpo de Ademar, uma Parati, com placas de Biguaçu/SC, estava em uma estrada da linha Plataneia, interior do município, conforme a Polícia Militar. O para-lama do carro estava batido, vestígios de que, possivelmente, havia colido em uma árvore.

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Despedida

“Não teve velório devido ao tempo e a situação dos corpos. Foi apenas uma cerimônia de sepultamento. Cumpri minha última missão de guardar o corpo delas. A dor é imensa, mas antes estávamos com a sensação de que toda essa tragédia ainda não havia acabado. Agora conseguimos encerrar um capítulo difícil”, contou a tia das meninas e irmã de Neusa, que não quis se identificar.

Os corpos das crianças foram liberados na terça-feira (17) com autorização judicial. Segundo o delegado da Polícia Civil, Roberto Marin Fronza, essa autorização foi necessária porque o exame de DNA que comprova a identificação dos corpos ainda não foi concluído.

“A identificação delas e do Ademar só será confirmada com o exame, mas devido à demora para sair o resultado, solicitamos a liberação judicialmente para que os corpos possam ser enterrados”, explica Fronza.

Relembre o caso

No carro onde estava o homem havia uma espingarda calibre 12 milímetros, cano duplo intercalado, que também estava totalmente destruída em razão do incêndio. Não há informações sobre quem seria o dono da arma.

Já Neusa Dias Maciel, de 24 anos, que estava enterrada perto da casa onde o casal morava na linha Mezari, apresentava sinais de violência física. O local onde o corpo estava era cercado por pinos e vegetação alta.

As meninas estavam enterradas em um banhado na Linha Mezari, interior do município, com sinais de agressão, como afundamento de crânio.

Corpos das crianças foram achados neste local – Foto: Polícia Civil/NDCorpos das crianças foram achados neste local – Foto: Polícia Civil/ND

Ademar foi quem matou a família inteira, informou a Polícia Civil. O delegado afirmou que resta saber a causa da morte de Ademar, visto que ele teve o corpo totalmente carbonizado na Parati que conduzia.

O delegado disse que não descarta nenhuma hipótese sobre a morte de Ademar, como homicídio, suicídio ou acidente de trânsito, mas está convicto que foi ele quem matou as duas enteadas e a esposa.

Neusa Maciel teria sido morta no sábado [dia 17 de dezembro] à noite com um único tiro na cabeça. Ainda segundo o delegado, o homem enrolou a cabeça dela em sacos plásticos e enterrou em uma cova rasa perto de casa. Mais tarde removeu o corpo e enterrou em outra cova mais longe de casa, mas também na mata.

Já as meninas teriam sido mortas mais tarde. “Das crianças a gente ainda não tem a certeza do momento em que elas foram mortas, mas com certeza foi neste período entre sábado e domingo”, explica Fronza. As crianças foram encontradas enterradas em um banhado perto de casa, com o crânio afundado, indícios de agressão.

Corpo de Neusa foi encontrado próximo à casa em que o casal morava. – Foto: Polícia Científica/Divulgação/NDCorpo de Neusa foi encontrado próximo à casa em que o casal morava. – Foto: Polícia Científica/Divulgação/ND

Casal estava junto há dois anos

Uma familiar de Neusa, que não quis se identificar, contou à reportagem do ND+ que o casal estava junto há cerca de dois anos e trabalhavam cortando madeiras de eucalipto no interior de Novo Horizonte, onde também moravam.

A família estranhou o sumiço de Neusa e das filhas, já que ela costumava se comunicar por mensagens diariamente. “No sábado ela não respondeu mais às mensagens. O Ade [marido dela] até chegou a ligar para a irmã dela, na segunda-feira, pedindo se ela tinha alguma informação. Ele falou que não sabia do paradeiro dela e que ela teria saído com as crianças”, conta.

No dia seguinte [terça-feira, 20 de dezembro], a polícia encontrou o corpo de Ademar. Os familiares de Neusa cogitaram a hipótese de um acidente de trânsito seguido da explosão do veículo. Já a procura pela mulher encerrou nesta quinta quando o corpo foi achado próximo da casa onde ela morava.

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