A família do empresário Abrão Venâncio Fernandes, falou sobre a reação após descobrir que um ex-funcionário da churrascaria foi o responsável pela morte do idoso de 70 anos, baleado 7 vezes, em Florianópolis. O filho da vítima contou que o suspeito era “próximo da família”. O homem foi preso na noite de terça-feira (10).
Empresário Abrão Fernandes, de 70 anos, era dono de churrascaria e morreu baleado com 7 tiros – Foto: Redes Sociais/Reprodução/NDAlém do ex-funcionário Alan, de 25 anos, um segundo suspeito identificado como Gilberto, que teria sido o responsável por atirar na vítima, foi detido nesta quarta-feira (11). Os dois confessaram o crime, segundo a Polícia Civil.
“Ficamos muito consternados pois era um funcionário que trabalhou com a gente por dois anos, era próximo da família. Infelizmente, é um cara que eu não sei o que aconteceu porque nunca apresentou nenhum problema com a empresa”, relembrou o filho da vítima, Rafael Rentz Fernandes.
SeguirRafael era sócio do pai na churrascaria e disse que sempre teve boa relação com o ex-funcionário.
“Ajudei sempre que pude, até emprestei dinheiro, era um bom funcionário. Não sei o que aconteceu porque não era preciso fazer isso. Meu pai era um cara bom, ajudava a comunidade, os moradores de rua, fornecia marmita”, desabafou o filho de Abrão.
Ele conta ainda que o pai chegou a trabalhar 15 horas no dia do crime e só saiu da churrascaria por volta de 00h.
“Ele ficou até 00h, isso porque tinha 70 anos, era aposentado. Mas como gostava de trabalhar na empresa ele vivia pelo lugar, amava o que fazia. Trabalhava com meu pai há 28 anos, ele era meu braço direito e eu era o dele”.
“Foi uma notícia muito ruim, eu vim correndo para socorrer assim que soube, chorei muito. Decepção por saber quem foi, era um cara que eu admirava muito, gostava do trabalho dele. […] Ele já frequentou a casa então conhecia o local. É uma decepção para a família”, completou Rafael.
Coletiva de imprensa
Nesta quarta-feira (11) uma coletiva de imprensa reuniu representantes das forças de segurança da PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina) e PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil, para informar os desdobramentos da investigação da morte do empresário.
Coletiva de imprensa com representantes das forças de segurança falou sobre a morte do empresário morto com 7 tiros – Foto: Felipe Kreusch/NDSegundo a PCSC, uma das motivações de Alan, o ex-funcionário que confessou a autoria do crime, foi a “dificuldade financeira”.
“Conforme foi apurado até o momento, por dificuldades financeiras e por conhecer a rotina da família do seu Abrão, o Alan, que já foi funcionário da empresa, chamou um comparsa para eles irem até o local”, afirmou o delegado da DRR (Delegacia de Repressão a Roubos), Guilherme Mariath.
Polícias Civil e Militar fizeram força-tarefa com o Bope para atuar na investigação do caso – Foto: Divulgação/ND“Montamos de uma maneira informal uma força-tarefa com a Polícia Militar, agência de Inteligência do 22ºBPM, agência de Inteligência do Bope e a nossa unidade [PCSC]. Conseguimos compartilhar informações que nos ajudaram a elucidar o crime”, detalhou o delegado.
A polícia afirmou ainda que Gilberto, o segundo suspeito na participação do crime, chegou a atirar no próprio pé durante a confusão, mas não procurou atendimento médico para não levantar suspeitas.
“A ideia seria render a vítima e ingressar na casa, então o roubo seria à residência. No entanto, como o seu Abrão resistiu e acabou entrando em luta corporal com o Gilberto, que estava na frente da residência, o Gilberto efetuou os disparos, eles acabaram se assustando com a situação e fugiram do local. Nada foi levado”, finalizou o representante da PCSC.
Se condenados, Alan e Gilberto podem cumprir pena de até 30 anos em regime fechado, de acordo com a Delegacia de Repressão a Roubos.
O ND+ não localizou as defesas dos acusados até a publicação desta reportagem.
Relembre o caso
O crime ocorreu na madrugada do último domingo (8). O empresário Abrão Venâncio Fernandes morreu após reagir a um assalto no bairro Jardim Atlântico, na região continental de Florianópolis. Dono de churrascaria foi baleado sete vezes.
Segundo a PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina) o caso ocorreu por volta de 00h05, em um trecho da Avenida Atlântica.
Abrão Fernandes foi abordado por dois homens na frente da própria casa e chegou a lutar com os assaltantes, mas foi baleado pelo menos sete vezes.
O 22º BPM (22º Batalhão da Polícia Militar), responsável pela ocorrência, informou que uma equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionada, mas a vítima morreu antes de receber o atendimento.
Empresário estava noivo e companheira fez homenagens na internet – Foto: Redes Sociais/Reprodução/NDNas redes sociais, a empresa em que Abrão era sócio publicou uma nota de pesar lamentando a morte dele. A vítima foi enterrada na manhã de segunda-feira (9).