Do coronel da reserva do Exército, Eugênio Moretzsohn, Consultor de Segurança, sobre a proposta de “bico oficial” entre policiais militares da ativa para trabalharem nas escolas da rede estadual:
“Gostaria de comentar a questão do “Bico oficial”. Acompanho a questão da segurança pública há muitos anos, em decorrência de minhas atividades profissionais de professor e consultor sobre essa temática.
A carreira policial é bastante singular dentre as carreiras públicas pois, além dos atributos de dedicação e abnegação, exige coragem física diante de perigos intoleráveis para a maior parte dos cidadãos.
SeguirO descanso do policial é absolutamente necessário, não só para repouso e recuperação do sono, mas também, para a convivência familiar e a restauração de sua paz interior. A folga deve ser utilizada, também, para a manutenção da condição física e técnica.
Utilizar a folga para um segundo e até terceiro emprego (o bico) é ocupar o período de descanso por mais carga de trabalho, muitas vezes noturno (em boates) e expondo-se a riscos contra os quais o policial não conta com o apoio de sua equipe (guarnição) e, muitas vezes, sem o colete balístico.
A maior parte das mortes de policiais no Brasil não ocorre por bravura em serviço no combate ao crime, mas sim, fora dos horários de expediente, seja no bico, no trânsito e, infelizmente, em suicídios.
O que modestamente sugiro é desenvolver um programa de valorização dos policiais de todas as Corporações, procurando qualificá-los e equipá-los com as melhores técnicas e tecnologias, remunerá-los adequadamente para que não precisem completar sua renda familiar e proporcionar às famílias bons convênios assistenciais.
A maior beneficiada será a própria sociedade.
Obrigado pela atenção e pelo espaço!”
Proposta do governador Jorginho Mello é analisada por especialistas – Foto: Roberto Zacarias/SECOM