Seis meses após prender uma estudante de direito por facilitar a fuga de alvos de uma operação policial, a Polícia Civil de Santa Catarina capturou, nesta terça-feira (25), mais uma envolvida no esquema. Desta vez, uma estagiária da Justiça Federal foi presa por ter acessado o sistema estadual, ao menos três vezes, e repassado informações para membros de uma facção criminosa.
Estagiária da Justiça Federal estava no 8º semestre de direito – Foto: PCSC/NDA investigada foi detida, temporariamente, no bairro Ingleses, no Norte de Florianópolis. Os agentes da Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) também apreenderam dois computadores e dois aparelhos celulares, que serão periciados para auxiliar no decorrer das investigações.
Estagiária da Justiça Federal é presa por ajudar facção
Segundo a investigação, a universitária acessou, indevidamente, processos sigilosos de, pelo menos, três delegacias especializadas em investigações do tráfico de drogas e organizações criminosas. Os casos envolviam criminosos associados a facções criminosas.
Seguir
Operação ocorre seis meses após a prisão de outros cinco envolvidos no esquema – Foto: PCSC/NDConforme informado pela Polícia Civil, a estagiária da Justiça Federal foi identificada a partir de documentos e equipamentos eletrônicos localizados na posse de outra investigada, presa em agosto de 2024. Elas teriam se conhecido quando ambas foram estagiárias da Justiça estadual.
A estagiária da Justiça Federal, de 23 anos, deve responder por associação ao tráfico, organização criminosa e violação de sigilo funcional.
A reportagem do ND Mais entrou em contato com a Justiça Federal. Em nota, foi informado que “o perfil de usuário afeto a estagiários não permite o acesso a processos sigilosos, tais como operações policiais em curso; não obstante, foi bloqueado o acesso da investigada a todos os sistemas da instituição, bem como determinada a suspensão cautelar do contrato de estágio”.
Ainda segundo a nota, a Justiça Federal de Santa Catarina “encontra-se à disposição da autoridade policial para colaborar com as investigações, sem prejuízo das apurações administrativas cabíveis”.
Relembre o caso
Em agosto de 2024, polícia civil descobriu que uma universitária, que fez estágio em uma vara da família de Florianópolis, vazou informações sigilosas para criminosos. Os investigados pertencem a uma facção criminosa com atuação em Florianópolis e eram alvos da Operação Tio Patinhas, em combate ao tráfico de drogas.
Estagiária da Justiça Federal foi capturada no bairro Ingleses, no Norte da Ilha – Foto: PCSC/NDÀ época, foram expedidas 72 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, e sequestro de bens. Contudo, a ação da estudante frustrou boa parte da ofensiva.
A quebra de sigilo de dados foi solicitada e identificou que a estagiária da Vara da Família de Santa Catarina acessou documentos da Operação Tio Patinhas inúmeras vezes. Ela teria repassado informações para os suspeitos, que conseguiram fugir.
As investigações apontam que a universitária da Vara de Família teve ajuda para ingressar no banco de dados e coletar as informações sigilosas. É possível que advogados, vinculados aos alvos da operação, tenham participação no vazamento das informações.