Um estudante de medicina da UFRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) foi indiciado por crimes sexuais devido a um fato ocorrido no dia 20 de abril, no Hospital Independência, em Porto Alegre, onde fazia estágio.
O rapaz foi visto por um técnico de enfermagem e uma enfermeira manipulando os órgãos sexuais de um paciente que estava sedado para realizar uma operação nos membros superiores. Após o flagrante, o estagiário foi imediatamente chamado pela administração do hospital e desligado.
O hospital, em nota oficial, declarou que todas as medidas cabíveis foram tomadas – Foto: Reprodução/Google Maps/ NDSegundo o Correio do Povo, a titular da DPCI (Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância) de Porto Alegre, Andrea Mattos, que conduziu a investigação, emitiu o resultado para o MP (Ministério Público) com o indiciamento.
Seguir“O estudante registrou duas ocorrências, colocando-se na condição de vítima de homofobia, alegando que o contrato de estágio foi rescindido por conta da orientação sexual”, comentou a titular da Delegacia de Combate à Intolerância. “No entanto, a investigação mostra que ele é autor de crime sexual”, afirmou a delegada.
Testemunhas de setores administrativos e médicos foram ouvidas pela delegada. “Na verdade, ele fez esses movimentos de registro de boletins de ocorrências tentando se antecipar. Caso a Universidade ou o Hospital tomassem essa atitude, ele já teria saído na frente, colocando-se como vítima, mas não, a investigação mostrou que ele é autor de crime sexual”, explica.
Segundo a polícia, outro detalhe importante foi que o universitário tentou desistir da ocorrência alegando que precisaria da autorização da vítima. “Quando se trata de injúria, a vítima precisa autorizar a investigação, mas, se fosse caso de homofobia, não seria injúria, seria ação pública incondicionada, que nem dependeria da autorização dele”, sintetizou, ressaltando que o mais importante é que ele fez dois registros e depois tentou desistir ao ver que poderia ser negativo para ele.
Em seu depoimento, o paciente de 23 anos contou que sentiu o comportamento inapropriado do universitário, mas, por estar sedado, não conseguia reagir. “Ele contou, inclusive, que comentou com a própria mãe, a qual disse que deveria ser impressão por conta da colocação da sonda, mas não houve uso no procedimento”, esclarece.
Em nota oficial, o Hospital Independência afirma que todos os procedimentos e medidas cabíveis foram tomadas imediatamente ao fato. “Identificada a conduta inapropriada, o estagiário foi desligado do hospital. Ato contínuo, houve a instauração de processo interno de apuração. Além disso, a instituição tem colaborado, de forma irrestrita, com as autoridades policiais responsáveis pela investigação”, dizem trechos do documento.
O advogado de direitos LGBTQ Diego Machado Candido, que acompanha o caso, declarou que seu cliente prefere não se manifestar.
“Tomamos conhecimento hoje pela imprensa da conclusão do inquérito policial e do indiciamento por estupro de vulnerável. Meu cliente nega as acusações, informando que já prestou depoimento à polícia nesse sentido. O que sustentamos é que existem muitas contradições e que possivelmente ele foi vítima de homofobia no Hospital e entre colegas da UFRGS. A universidade ainda não emitiu nota sobre o caso.
Com Informações do Correio do Povo