Nesta sexta-feira (19), o sócio da empresa Multiplus Assessoria Ltda, empresa de Blumenau, no Vale do Itajái, acusada de cometer fraudes contra investidores em operações na bolsa de valores, resolveu quebrar o silêncio e se manifestar.
De acordo com advogado das vítimas, rombo aos clientes pode chegar a R$ 80 milhões. – Foto: Reprodução/NDO sócio Ingomar Mueller respondeu ao contato que a reportagem do Portal ND+ fez na quinta-feira (18). Ele não esclareceu a situação, mas por meio de mensagens no WhatsApp disse: “Estou sendo ameaçado de morte. Eu e a família toda. Darei declarações na polícia, ok. Agradeço, sei que estais fazendo teu trabalho, mas tem várias ameaças gravíssimas”, afirmou.
Em resposta, a reportagem destacou que o espaço continua aberto caso ele queira se manifestar. Ingomar, então, respondeu: “Ainda não sei o que posso fazer. Muitas ameaças à família”.
SeguirA empresa é acusada de perder mais de R$ 80 milhões dos clientes. Desde terça-feira (16), sete boletins de ocorrência já foram registrados. O delegado da DIC (Divisão de Investigação Criminal), Ronnie Esteves, diz que as pessoas relatam que fizeram aportes na empresa e que eles recebiam relatórios supostamente adulterados.
“A gente trabalha, a princípio, com a hipótese de um crime de estelionato, essa pessoas estão se sentindo lesadas, mas nada impede que no decorrer da investigação a gente vislumbre a prática de outro crime, por exemplo, lavagem de dinheiro”, explica o delegado.
Entenda
Ingomar Mueller e Bruno Lippel são sócios na empresa Multiplus Assessocia Ltda, que está sendo acusada de cometer fraudes contra investidores em operações na bolsa de valores. Ao menos uma ação contra a empresa já corre na justiça. O prejuízo dos investidores é de cerca de R$ 80 milhões, segundo o advogado de um grupo de clientes que entrou com a ação. Além disso, até o momento sete boletins de ocorrência já foram registrados e a Polícia Civil abriu um inquérito para apurar a situação.
O advogado que está representando os clientes, Pedro Cascaes Neto, especialista em direito empresarial, informou que o processo está em segredo de justiça, mas disse ao Portal ND+ que os sócios da empresa, Bruno Lippel e Ingomar Mueller, praticaram uma fraude financeira gravíssima, que resultou em prejuízos acima dos R$ 80 milhões.
“Essa fraude certamente ultrapassa a casa das 200 pessoas. Como está em segredo de justiça eu não posso dar muitos detalhes, mas posso dizer que o processo já existe, já está bastante adiantando e que eu não acredito na versão do Bruno”, disse o advogado.
Bruno Lippel, um dos sócios da empresa, alega que, assim como seus clientes, foi enganado pelo outro sócio, Ingomar Mueller. Em entrevista ao Portal ND+, Bruno afirmou não saber das fraudes. “Ele [Ingomar] falou que perdeu em operações. Ele estava perdendo dinheiro e alterava os relatórios de operações”, afirma.
Para o advogado, a versão não é verdadeira. “É impossível alguém que ficou tanto anos como sócio administrador da empresa, como a pessoa que vendia e oferecia os fundos, que tinha poder de assinatura, de administração dentro da empresa, não soubesse de nada. É algo ilusório, que ofende a inteligência das pessoas”, opina Neto.
Ele ainda afirma que, independentemente da versão de Bruno, ele é diretamente responsável pela fraude. “As pessoas depositaram as economias de uma vida inteira. Nós temos pessoas que venderam a casa e botaram as economias ali e perderam tudo. Uma estratagema tão bem feita que mês a mês ele publicavam os extratos, os balanços, tinha até um aplicativo que você via seu saldo e era tudo maquiado”, detalha o advogado.
Segundo o advogado, se o dinheiro foi de fato perdido, está sendo investigado, mas os bens dos sócios estão sendo bloqueados. “Os bens localizáveis nós estamos indisponibilizando. Dinheiro, imóveis, etc. mas para onde foi o dinheiro nós não sabemos. A alegação deles é que foi um insucesso na bolsa. Agora de R$ 80 milhões transformar em R$ 4 milhões, é muito insucesso”, opina.
Versão de Bruno
Bruno Lippel disse que a fraude era feita pelo sócio da seguinte forma: em uma perda no mês de R$ 4 milhões, por exemplo, Ingomar informava que havia perdido apenas R$ 2 milhões. “Tudo isso ele foi manipulando e a minha responsabilidade foi realmente ter confiado nele. Até então ele era uma pessoa de extrema confiança, uma pessoa que eu conheço há 15 anos, trabalhou na mesma empresa por 32 anos”, argumenta.
A empresa, aberta em 2016, tinha aproximadamente 270 clientes de Blumenau e região, além de diversos outros Estados, como São Paulo, Paraná e Minas Gerais. O sócio diz que o rombo deixado pela empresa aos clientes é de R$ 67 milhões. Ao todo, a Multiplus tinha R$ 71 milhões investidos, dois quais sobraram apenas R$ 4 milhões.