O estupro de uma jovem de 20 anos em plena luz do dia, enquanto caminhava em uma das ruas mais movimentadas da área central de Joinville, no Norte de Santa Catarina, chocou a cidade. O caso, segundo a Polícia Civil, foge do “padrão” de crimes sexuais no município.
Estupro aconteceu na tarde de segunda-feira (9), enquanto vítima caminhava pela rua – Foto: Reprodução/Google EarthA jovem andava pela avenida Hermann August Lepper (Beira Rio), por volta das 16h30 de segunda-feira (9), quando passou a ser seguida por um homem que, depois, a empurrou, pegou pelo braço e a ameaçou.
“Ele tirou o pênis e começou a se masturbar atrás de mim, ficou se esfregando em mim e eu não consegui gritar. Não conseguia fazer nada. Acho que porque ele falou que me mataria. Não consegui ter reação”, disse a jovem ao ND+.
SeguirApós o crime, ela procurou a polícia e, além disso, denunciou o caso nas redes sociais, ganhando grande repercussão. “Ele não levou nada de material, mas levou um pouco da minha vontade de viver”, escreveu no relato que comoveu a cidade.
O crime teve rápida resposta: em menos de 24 horas, ainda no período de flagrante, o suspeito foi preso quando chegava à casa da companheira, também na região central. Ele admitiu o ato, mas disse “não ter feito nada de mais” porque “não encostou nela”.
Crime foge do habitual
Segundo a Polícia Civil, um caso como esse foge do que se considera comum em relação a crimes sexuais.
“Não é o padrão do crime de estupro alguém desconhecido que te pega na rua. Claro, um caso que ocorra já é mais do que podemos suportar, já é extremamente grave. Mas o padrão da vítima de estupro é alguém que a conhece, que convive com ela, às vezes alguém da própria família”, diz Tânia Harada, coordenadora da DIC (Divisão de Investigação Criminal).
Polícia Civil fez a prisão do suspeito um dia após o crime – Foto: Felipe Bambace/NDTVDe acordo com o delegado Rodrigo Maciel, da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso), o suspeito disse em depoimento que “tinha uma compulsão por esse tipo de prática”. Apesar disso, não há registro de outros crimes cometidos por ele.
A identificação dele se deu por meio de imagens de monitoramento. “A gente teve que analisar quadro a quadro todas as câmeras da região, quase cem, o que foi um esforço de vários núcleos da Polícia Civil”, fala.
“A primeira imagem que se conseguiu foi por meio de uma empresa que tinha câmeras no local. Ali tinha um ponto de início e, daí pra frente, começou a análise de tudo que tinha no entorno em tentativas de acerto e erro até pegar o fio da meada de novo”, diz o delegado.
O suspeito não reagiu à prisão. “Em primeiro momento ele negou, mas mostrando a quantidade de elementos que provavam que era ele, confessou o crime”, explica Eduardo de Mendonça, coordenador da DPCAMI de Joinville.
Além dessas provas, a polícia também colheu o material genético deixado pelo suspeito na calça da vítima. “O exame de DNA prova 99% quem comete o crime. Se não tivéssemos conseguido encontrar pelas imagens, nós ainda teríamos o DNA dele”, complementa Eduardo.
Os delegados reforçam a importância de as vítimas procurarem a polícia o quanto antes após crimes como esse, justamente para preservar provas que podem ser úteis na investigação.
O suspeito foi preso em flagrante e passa por audiência de custódia nesta quarta-feira (11), quando o juiz vai decidir se converte a prisão em preventiva. Neste caso, ele será encaminhado ao presídio.
*Com informações de Felipe Bambace, repórter da NDTV Joinville.