Ex-delegado-geral da PC-DF é preso por perseguir ex-namorada com grampos ilegais

Robson Cândido teria usado a estrutura da Polícia Civil e a empresa COGNYTE para monitorar a localização e as conversas da vítima, que era investigada por tráfico de drogas sem motivo.

Foto de Willian Ricardo

Willian Ricardo Chapecó

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O ex-delegado-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Robson Cândido, foi preso preventivamente na manhã deste sábado (4), acusado de usar a estrutura da corporação para perseguir uma mulher com quem teve um relacionamento amoroso.

Ex-delegado Robson Cândido – Foto: Igo Estrela/Metrópoles/NDEx-delegado Robson Cândido – Foto: Igo Estrela/Metrópoles/ND

A prisão foi solicitada pelos promotores do  NCAP (Núcleo de Investigação e Controle Externo da Atividade Policial), com o apoio do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e do CI (Centro de Inteligência), e autorizada pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Águas Claras. As informações são do site Correio Braziliense.

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Robson Cândido teria se valido da empresa COGNYTE, contratada pela Polícia Civil para fornecer serviços de inteligência, para inserir ilegalmente o número de telefone da vítima em uma interceptação telefônica em andamento, que apurava um caso de tráfico de entorpecentes. Dessa forma, ele teria acesso às conversas e à localização da mulher em tempo real, por meio do software VIGIA, usado pela polícia para rastrear suspeitos.

Além disso, o ex-delegado-geral teria usado viaturas descaracterizadas, celulares corporativos e carros oficiais para seguir e intimidar a vítima, praticando os crimes de stalking e violência psicológica. Ele também teria contado com a ajuda do delegado-chefe da 19ª Delegacia de Polícia (DP), de Ceilândia, Thiago Peralva Barbi, que também é alvo de mandados de busca e apreensão nesta manhã.

A operação que resultou na prisão de Robson foi batizada pelos promotores de Justiça como Operação Vigia, em referência ao programa usado para espionar a ex-namorada do ex-delegado-geral. As investigações começaram após a notícia da exoneração do delegado, em agosto deste ano, por supostas irregularidades na contratação da empresa.

Os elementos apurados apontam a existência dos crimes de interceptação telefônica ilegal, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, invasão de dispositivo de informática e descumprimento de medida protetiva de urgência.

Ao site Correio Brasiliense, o advogado Cleber Lopes, que representa Robson, disse que acompanha o caso, mas ainda não tem todas as informações. Ele entrará com pedido de habeas corpus para relaxamento da prisão na segunda-feira, quando encerrar o plantão do fim de semana e o juiz natural da causa avaliar as argumentações da defesa.

Aposentado

Robson foi afastado do cargo em 2 de outubro após ser denunciado. A Polícia Civil concedeu aposentadoria, decretada em publicação no Diário Oficial do Distrito Federal de 17 de outubro.

Ele esteve no comando da força de segurança desde 2019. O delegado José Werick de Carvalho assumiu o cargo.

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