Ex-diretor do Procon cita ‘armação’ e se diz ‘surpreso’ com acusação de assédio sexual

Roberto Salum se declara surpreso com a acusação de assédio sexual e diz que tudo seria uma armação após o mesmo ter denunciado fraudes 'milionárias' na gestão anterior do órgão; antigo diretor nega

Foto de Ana Schoeller e Diogo de Souza

Ana Schoeller e Diogo de Souza Florianópolis

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Roberto Salum, o ex-diretor do Procon de Santa Catarina, acusado de assédio sexual, afirma que as acusações foram parte de uma “armação” e que o pegaram de “surpresa”. As declarações foram feitas por meio de um vídeo enviado ao jornalista Diogo de Souza, da coluna Bom dia, do ND Mais nesta quarta-feira (3).

Salum, ex-diretor do Procon Salum se posiciona sobre acusações – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/ND

“No primeiro dia do feriado, recebi a triste notícia de que eu teria tentado beijar uma funcionária do Procon. Fiquei quatro dias amargando uma tristeza, uma armação, que eu vou esperar diante do juiz para provar essa armação”, diz Salum.

O ex-chefe do Procon-SC, contudo, não esclareceu no vídeo sobre as acusações específicas dos casos de assédio sexual, como tentativa de beijo à força em uma funcionária do órgão. 

‘Armação’ no Procon, diz Salum

Segundo Salum, Tiago Silva, o ex-diretor da pasta, teria tramado contra ele após ter descoberto uma fraude “milionária” supostamente cometida por Silva.

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Salum diz que levou o caso à PGE (Procuradoria Geral do Estado) e ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina). Os órgãos responderam que ele não apresentou provas. Tiago também nega e afirma que vai acionar Salum na Justiça (veja mais abaixo).

Salum acusa armação da ex-diretoria do Procon – Vídeo: Reprodução/Arquivo Pessoal/ND

Acusações sem provas, dizem PGE e MPSC

Tiago Silva nega todas as acusações e afirma acreditar que tudo não passa de uma estratégia para deslegitimar as vítimas. Confira a íntegra da nota:

Na manhã desta quarta-feira (3/4), fui surpreendido por um vídeo em que o ex-diretor do PROCON/SC, recentemente exonerado pelo governador Jorginho Mello em razão de graves acusações de assédio contra uma mulher, lança um ataque covarde à minha imagem e à minha honra, proferindo afirmações absurdas e totalmente descoladas da realidade.

A “estratégia” é tentar desviar o foco das graves denúncias das quais é alvo, subestimando a inteligência da sociedade e, sobretudo, dos profissionais de imprensa.

Já acionei meu advogado para ingresso da devida ação judicial, para que o ex-diretor do PROCON/SC, reconhecido pela personalidade desequilibrada e sem a mínima credibilidade, responda na Justiça pela calúnia e difamação contra minha pessoa.

O Ministério Público de Santa Catarina, onde o ex-diretor diz ter denunciado, respondeu que até segunda-feira (1°) não tinha recebido provas. O órgão deu novo prazo até 22 de abril. Confira a nota na íntegra:

“Houve protocolo de representação na 27ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, no dia 19 de fevereiro, limitado ao encaminhamento de todos os procedimentos do PROCON nos últimos quatro anos, sem apontar os indícios das supostas irregularidades.   O Sr. Salum se comprometeu, então, a trazer posteriormente as provas, o que não ocorreu. A Promotoria de justiça requisitou mais uma vez as provas que que o representante dizia ter, mas o prazo venceu sem que fossem apresentadas. A requisição foi reiterada, com novo prazo até dia 22 de abril.”

A PGE confirmou que houve em 8 de março o protocolo da denúncia, mas também disse que Salum não anexou documentos ao processo. Na quinta-feira (28), a procuradoria informou que não havia sido procurada por Salum, mas confirmou nesta quarta-feira que o “ofício de três laudas foi protocolado em papel – fato que atrapalhou o fluxo de tramitação, já que o Estado apenas lida com documentos eletrônicos, e exclusivamente pelo Sistema de Gestão de Processos Eletrônicos (SGPe)”.

“O documento informava apenas a suspeita de danos causados ao Fundo de Recuperação de Bens Lesados (FRBL), que é de responsabilidade legal do Ministério Público de Santa Catarina”, diz a nota.

“O procurador-geral do Estado localizou o documento físico, autuou um processo digital no SGPe sob o número PGE 3739/2024 e irá despachar no sentido de que o procurador-geral de Justiça, chefe do MPSC, órgão responsável pela gestão do FRBL, seja informado das alegações do ex-diretor”, completou a PGE.

A Secretaria de Indústria, Comércio e Serviço, órgão no qual o Procon-SC está vinculado, disse que “vai se manifestar sobre as colocações de Roberto Salum por meio de uma nota oficial, que será divulgada na tarde de hoje”.

O que dizem as denúncias contra o ex-diretor do Procon

Acusado de assédio sexual e moral, o ex-deputado Roberto Salum não resistiu à pressão e foi exonerado da direção do Procon-SC em meio ao feriado de Páscoa. A primeira denúncia, investigada pela Polícia Civil, veio à tona na quinta-feira (28), o que fez o governador Jorginho Mello (PL) adotar a medida contra o aliado. A defesa de Salum diz que ele tem “conduta ilibada”.

O caso chegou à Polícia Civil na quarta-feira (27). A denúncia foi registrada na Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) de Florianópolis, que abriu inquérito. As denúncias foram detalhas pelo jornalista Diogo de Souza, da coluna Bom dia, do ND Mais.

Ex-diretor do Procon-SC, Roberto SalumRoberto Salum é acusado por mais de uma vítima – Foto: Alesc/Divulgação/Arquivo/ND

A vítima é funcionária de uma empresa terceirizada que presta serviço ao Procon de Santa Catarina.

A mulher de 30 anos registrou um Boletim de Ocorrência no qual acusa Salum, seu superior, de insistir para que fossem até o Centro Administrativo, sede do governo, de carona.

A mulher ainda admitiu que aceitou devido a insistência do acusado. Ao estranhar o percurso escolhido pelo acusado, a servidora perguntou e ouviu que ele precisava passar em casa, em Palhoça.

Foi lá que o “chefe” pediu um beijo e, diante da recusa, a agarrou e a beijou à força.

Revolta de funcionários e novos relatos

O episódio envolvendo a funcionária que estava há 15 dias no cargo revoltou colegas de trabalho e causou grande desconforto pelos bastidores do Centro Administrativo.

Além da denúncia por assédio sexual, à coluna Bom Dia teve acesso a pelo menos 15 relatos entregues à ouvidoria que acusam o mesmo indivíduo por condutas como abuso de autoridade, assédio moral, além de diferentes episódios de desrespeito.

Os documentos foram registrados junto a Secretaria da Indústria, do Comércio e do Serviço, na qual o Procon faz parte.

‘Humilhação’ e ‘medo’ por porte de arma de fogo

Em boa parte dos encaminhamentos enviados a Ouvidoria Geral do Estado o teor é semelhante: abuso de poder por parte do mesmo indivíduo.

Palavras como “desrespeito”, “humilhação” e “perseguição” também são frequentemente utilizadas.

Outros relatos evidenciam o “medo” dos funcionários que insistem em intimidação. Algumas denúncias revelam que o acusado porta – e expõe – arma de fogo.

O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil que deve abrir um outro procedimento para apurar os casos.

Mais uma denúncia por assédio sexual

A informação de uma nova vítima de assédio sexual foi confirmada pela delegada Michele Alves Correa Rebelo, diretora da Polícia Civil da Grande Florianópolis, em entrevista concedida ao Grupo ND, na sexta-feira (29).

Segundo a delegada, a Dpcami recebeu uma nova denúncia envolvendo um suposto crime de assédio sexual praticado por Roberto Salum.

A primeira vítima já foi formalmente ouvida na segunda-feira (1º), a segunda vítima será inquirida pela Polícia Civil. O acusado, no entanto, ainda não foi ouvido.