Ex-namorada de advogado morto em Florianópolis é presa; veja o que se sabe

Janaína Ribeiro foi presa na tarde desta terça-feira apontada como a possível mentora do crime; inquérito mostra que o caso foi orquestrado por pessoas próximas ao advogado criminalista

Foto de Diogo de Souza e Gabriela Milanezi

Diogo de Souza e Gabriela Milanezi Florianópolis

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A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios de Florianópolis, prendeu nesta terça-feira  (29), Janaína Ribeiro, 44 anos, ex-namorada de Carlos Eduardo Martins Lima, advogado criminalista morto no Norte da Ilha.

Ela foi presa na tarde desta terça, após prestar um novo depoimento ao delegado Ênio Mattos. Janaína tinha sido ouvida logo depois do episódio, mas na condição de testemunha, ainda no começo de março.

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    Janaína Ribeiro foi presa nesta terça-feira (29) de maneira preventiva - Andrey Sousa/NDTV/Divulgação/ND
    Janaína Ribeiro foi presa nesta terça-feira (29) de maneira preventiva - Andrey Sousa/NDTV/Divulgação/ND
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    Janaina, que estava em Gravataí (RS), foi convocada a depor nesta terça-feira e presa logo depois - Andrey Sousa/NDTV/Divulgação/ND
    Janaina, que estava em Gravataí (RS), foi convocada a depor nesta terça-feira e presa logo depois - Andrey Sousa/NDTV/Divulgação/ND
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    Ela foi presa temporariamente e é apontada por ser a mandante do caso - Andrey Sousa/NDTV/Divulgação/ND
    Ela foi presa temporariamente e é apontada por ser a mandante do caso - Andrey Sousa/NDTV/Divulgação/ND
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    Após ser ouvida pela Polícia Civil foi encaminhada a sistema prisional - Andrey Sousa/NDTV/Divulgação/ND
    Após ser ouvida pela Polícia Civil foi encaminhada a sistema prisional - Andrey Sousa/NDTV/Divulgação/ND

A sequência das investigações, no entanto, apontou para Janaína como uma das mentoras do crime que foi registrado no dia 2 de março, quando um cadáver foi localizado no bairro Rio Vermelho, Norte da Ilha. Segundo BO (Boletim de Ocorrência), divulgado pela PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), um indivíduo foi encontrado com “perfurações na área da cintura”.

Além da ex-namorada, foram presos ainda Alan Voltz Machado Batista, preso poucas horas depois do crime; juntamente com um outro indivíduo, preso em Lages no último domingo.

A reportagem do ND+ apurou que há, pelo menos, cinco pessoas presas envolvidas no brutal assassinato. A Polícia Civil, por meio do delegado que cuida do caso, no entanto, não confirma o número.

O inquérito segue aberto e a investigação não descarta mais prisões nos próximos dias antes da conclusão dos trabalhos e emissão ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).

Namorada não mostrava consternação

Janaína Ribeiro esteve na pousada em que o advogado criminalista costumeiramente se hospedava. Carlos Eduardo, ou “Cadu”, como era conhecido, escolhia o mesmo lugar, localizado na Barra da Lagoa, Leste da Ilha, há pelo menos dez anos.

Até o dia 25 de fevereiro, pouco antes de começar o Carnaval e uma semana antes da sua morte, Cadu estava hospedado no mesmo local juntamente com Alan Batista e mais uma mulher que não foi identificada.

Carlos Eduardo Martins Lima, advogado criminalista, encontrado morto em Florianópolis – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/InstragramCarlos Eduardo Martins Lima, advogado criminalista, encontrado morto em Florianópolis – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/Instragram

Um suposto desentendimento nas dependências da pousada, contudo, fez com que todos saíssem de lá em busca de um outro endereço, um hotel em uma localidade próxima. A hospedagem, ainda de acordo com o que foi levantado pela reportagem, sempre fora custeada pelo advogado que se auto-proclamava o “Showman”.

A suspeita de ter mandado matar o advogado esteve na Pousada juntamente com uma amiga, um dia após a confirmação da morte dele. No local, ela falou com os familiares de Eduardo e, segundo repassado por uma fonte que pediu para não se identificar, ela não mostrava qualquer tipo de consternação pelo assassinato.

“Me chamou muito a atenção porque ela era namorada dele e não mostrava qualquer tipo de lamento. Pelo contrário. Mostrava normalidade e falava com raiva com alguém que entendi ser parente do Eduardo”, revelou.

A mesma fonte ainda contou que, aos gritos, a ex-namorada que é moradora de Gravataí (RS) onde trabalha como cabeleireira, insistia que o advogado “não era o santo que eles imaginavam”.

“Tão vítima quanto Eduardo”, diz advogado da ex-namorada

Em entrevista concedida à repórter Gabriela Milanezi, o advogado Mateus Marques, que representa Janaína explicou a situação e definiu a cabeleireira como “vítima” de toda a situação. Confira:

Advogado de Janaina Ribeiro, suspeita da morte de Carlos Eduardo – Vídeo: NDTV/Divulgação/ND

O que diz a advogada de Alan Batista

A advogada Luiza Lopes Bandeira, que representa Alan Batista, também falou com a repórter Gabriela Milanezi, da NDTV, e lembrou a “dissonância” entre os depoimentos de Alan e da ex-namorada de Carlos Eduardo.

Ela revela, no entanto, que vai esperar a denúncia do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).

Conforme levantado pela reportagem com uma pessoa que esteve com Cadu e com Alan, eles mostravam uma amizade “estranha”. A testemunha admitiu que chamou a atenção, entretanto, uma espécie de “cuidado” do advogado com o “amigo”.

“Ficou bem claro, para mim, que o Cadu pagava tudo em nome da parceria e o Alan meio que só ‘aproveitava’. Mas eu via que o Cadu gostava do Alan. Pelo menos nos gestos”.

Confira o depoimento da advogada:

Depoimento da advogada de um dos suspeitos da morte de Carlos Eduardo – Vídeo: Divulgação/NDTV/ND

Relembre o caso

Um cadáver foi localizado no bairro Rio Vermelho, em Florianópolis (SC), na manhã desta quarta-feira (2). Segundo BO (Boletim de Ocorrência), divulgado pela PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), um indivíduo foi encontrado com “perfurações na área da cintura”.

Local onde o veículo de Carlos Eduardo foi encontrado, próximo ao local onde o corpo foi deixado – Foto: Divulgação/Polícia CivilLocal onde o veículo de Carlos Eduardo foi encontrado, próximo ao local onde o corpo foi deixado – Foto: Divulgação/Polícia Civil

Ainda de acordo com o que foi levantado, Carlos Eduardo Martins Lima foi encontrado sem os calçados na servidão Cinco Rosas, região Norte da Ilha de Santa Catarina, já no início da manhã.

O veículo que conduzia, uma BMW 320 foi encontrado mais tarde, em uma localidade próxima ao seu corpo. O carro estava com as portas abertas, sem documentos e sem chave.

A dinâmica do crime gira em torno de uma espécie de emboscada montada sobre o advogado, a partir da aquisição de cocaína.

Carlos Eduardo foi brutalmente agredido na cabeça e no abdômen, a partir de múltiplos ferimentos, além de “estocadas” na altura da cintura. Seu corpo ainda foi encontrado com resquícios de cocaína pelo rosto e pela boca.

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