Ex-PMs acusados pelo desaparecimento de Diego Scott em viatura de SC são condenados

Os homens foram indiciados pelos crimes militares de prevaricação e falsidade ideológica

Foto de Luana Miguel

Luana Miguel Criciúma

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Dois ex-policiais militares, investigados pelo desaparecimento de Diego Scott, em Laguna, no Sul catarinense, foram condenados a dois anos, um mês e nove dias de prisão. A decisão foi tomada pela Justiça Militar na tarde de quinta-feira (9), em Florianópolis.

Câmera de segurança registrou o momento em que Diego foi levado pelos policiais – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVCâmera de segurança registrou o momento em que Diego foi levado pelos policiais – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

Luiz Henrique Corrêa e Eduardo Rosa de Amorim foram condenados por unanimidade pelos crimes militares de prevaricação e falsidade ideológica. Eles vão poder recorrer em liberdade.

Expulsos da Polícia Militar em janeiro de 2022, os ex-policiais foram acusados de estarem ameaçando e coagindo testemunhas, deletado possíveis provas em seus celulares. Os dois também chegaram a ficar detidos no mês seguinte, pois teriam interferido nas investigações.

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Relembre o caso

O desaparecimento de Diego Scott, de 39 anos, completou dois anos em janeiro. De acordo com familiares, o homem era usuário de álcool e drogas e ocasionalmente importunava sua família, que tinha o costume de acionar a polícia para apaziguar a situação.

Diego Scott não é visto desde o dia 15 de janeiro, após detenção policial – Foto: Reprodução/FacebookDiego Scott não é visto desde o dia 15 de janeiro, após detenção policial – Foto: Reprodução/Facebook

Em 15 de janeiro de 2021, Diego teve uma discussão com o pai pela manhã. A polícia foi acionada e encontrou o homem em um posto de gasolina. Os policiais pediram para Diego não voltar para casa.

Mas, novamente, os familiares acionaram os militares assim que o homem retornou e, após minutos de conversa, vizinhos avistaram Diego sendo colocado dentro da viatura. Imagens de uma câmera de segurança confirmaram os relatos.

Os policiais alegaram que o haviam deixado na região de Laguna Internacional. Buscas com cães e helicóptero foram realizadas, mas Diego nunca mais foi encontrado.

Defesa vai entrar com recurso

Em nota, o advogado de defesa de Eduardo Rosa de Amorim informou que a sentença da semana passada abordou irregularidades procedimentais, técnicas e operacionais da ocorrência.

Também esclareceu que todas as acusações sobre o alegado crime contra a vida, integridade física ou saúde de Diego Scott foram arquivadas por falta de provas. (Leia a nota na íntegra abaixo).

A defesa também informou que entrará com recurso e espera uma modificação na sentença já que o caso permanece inconclusivo por parte das investigações da polícia e que Diego ainda é dado como desaparecido.

A reportagem da NDTV também tenta contato com a defesa de Luiz Henrique Corrêa, mas até o fechamento da matéria não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Nota

O processo julgado ontem não ponderou sobre o infeliz desaparecimento de Diego Bastos Scott, que permanece inconclusivo de acordo com as investigações da Divisão de Investigação Criminal de Laguna e a anuência do Ministério Público de Santa Cataria, através da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Laguna, tanto que todo e qualquer processo nesse sentido foi arquivado.

O julgamento da Justiça Militar, apesar do que dizem erroneamente algumas pessoas da imprensa, pelo desconhecimento da lei, e outras poucas pessoas por má-fé, propagando algo que não condiz com a realidade, pois a sentença de ontem abordou irregularidades procedimentais, técnicas e operacionais da ocorrência, que independente da situação de Diego Bastos Scott em si, com a continuidade do infeliz desaparecimento ou não, manteria precisa irregularidade na operação, por questões legais de uma legislação de 21/10/1969;

Qualquer confusão entre as denúncias, não devem prosperar mas sim serem esclarecidas, até mesmo, porque todas as acusações sobre o alegado crime contra a vida, integridade física ou saúde de Diego Bastos Scott foram arquivados por falta de provas.

Assim sendo, mantemos nossa confiança na Justiça, apesar da sentença equivocada de ontem, que acreditamos deverá ser modificada após análise do recurso que apresentaremos, principalmente por não condizer com a realidade dos eventos. Evidentemente, que lamentamos o desaparecimento de Diego Bastos Scott, mas mantemo-nos serenos pela inocência de Eduardo Rosa de Amorim.

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