O comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, general de brigada Márcio Luis do Nascimento Abreu Pereira, responsável pelo 23º BI (Batalhão de Infantaria) de Blumenau, entrou em contato com a coluna para responder as colocações sobre o até então silêncio do Exército Brasileiro após o acidente com o caminhão da corporação nesta semana em Blumenau.
Corpo de Bombeiros trabalhou por mais de seis horas para resgatar todas as vítimas – Foto: Stevão Limana/NDTVEm uma hora de conversa, o general, que se mostrou muito solidário às vítimas da tragédia envolvendo a sua tropa, principalmente recrutas do 23º BI, disse que os primeiros momentos após o fato foram para buscar as informações mais precisas possíveis e de que nunca faltou sensibilidade no atendimento aos familiares dos soldados.
“O quartel sempre ficou aberto e segue aberto para qualquer família, desde o dia do acidente, quando prestamos as informações aos pais dos militares. Eu mesmo conversei com os pais das vítimas que não resistiram ao acidente e prestamos toda a solidariedade. Determinei a vinda de psicólogas de Curitiba e Florianópolis, além do padre militar para oferecer apoio aos enlutados.”, destacou.
Seguir‘Achamos injusto falar que não tivemos sensibilidade, porque isso não faltou’, diz o comandante
Sobre o contato restrito dos soldados envolvidos com o acidente ou com o comboio que seguia para o treinamento e vivenciou todo o cenário trágico da ocorrência, o general falou que os recrutas estão no período de internato, no início dos trabalhos no Exército. Segundo o comandante, apesar do acidente, as instruções precisam continuar.
“Permitimos todos os militares que estavam no comboio de falarem com as famílias logo após o acidente. Eles puderam dizer que estavam bem no quartel. Como já estava prevista a liberação nesta sexta-feira (18), isso ocorreu e os mais de 200 recrutas foram para casa, mas retornam na próxima semana ao batalhão.”, comentou.
O general fez questão de frisar, a todo momento, que existe apoio às vítimas e que a torcida é para os militares, ainda hospitalizados, possam se recuperar. “Nossa solidariedade continua. Estamos acompanhando e prestando apoio às famílias das vítimas. Eu tenho dois filhos e me coloco no lugar dos pais. Como nós falamos para os familiares, nós cuidamos dos meninos como se fossem nossos filhos.”, enalteceu.
O comandante destacou que as famílias dos mais de 200 recrutas serão convidadas para ir ao 23º BI na próxima semana para tirar qualquer dúvida sobre o acidente. “Estamos a disposição dos pais e queremos esclarecer tudo para as famílias.”, completou.
O general informou que as famílias podem, a qualquer momento, entrar em contato com o batalhão para obter qualquer informação. O telefone do 23º BI é 47 3324-2299.
Sobre o questionamento do motivo do bloqueio à imprensa no local do acidente, o general afirmou que é normal esse tipo de isolamento em situações como a desta semana, mas precisaria verificar com o comando local a explicação mais detalhada sobre o bloqueio tão distante da cena do acidente, especificamente na última quinta-feira (17).
Segundo o Exército, havia 41 pessoas dentro do caminhão e três militares morreram – Foto: Divulgação/ND‘Impressão é de deslizamento na rua, mas é preciso aguardar o resultado o inquérito’, afirma general
O motorista do caminhão do Exército, que caiu na ribanceira, era experiente na função, segundo o comandante. Os três militares, incluindo uma sargento, que estavam na cabine do veículo, passam bem.
“Ao que tudo parece, uma parte do terreno cedeu, o que fez a parte de trás da viatura descer e depois capotar. É apenas uma impressão, vendo o local do acidente. Somente o parecer técnico do inquérito policial militar poderá afirmar isso com toda certeza.”, disse.
De acordo com o general, o caminhão estava com a manutenção em dia e o chamado “Santo Antônio”, que são barras de aço reforçadas, pode ter salvo a vida de muitos militares.
“Se não tivesse essa proteção, poderíamos ter tido uma tragédia ainda maior. O caminhão tinha cinto, mas existe uma norma de trânsito que permite viaturas militares andar sem o uso do cinto de segurança nas situações de preparo e missões.”, afirmou.
Nesse caso do acidente, o prazo de conclusão do inquérito policial militar é de até 40 dias. “Cada vez mais percebo que não houve nenhuma forma de evitar o acidente e foi mesmo uma grande fatalidade. A estrada onde ocorreu a queda do caminhão já é utilizada há mais de 3o anos pelo 23º BI. Lamentamos muito e vamos apurar as causas.”, falou.
Comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, general de brigada Márcio Luis do Nascimento Abreu Pereira, responsável pelo 23º BI (Batalhão de Infantaria) de Blumenau- Foto: Reprodução/Internet/ND