“A gente passou o ano chorando. Agora a gente quer passar sorrindo o próximo ano com a família. Eu espero fazer logo uma churrascada e assar uma galinha”. Para o fim de ano, o guincheiro Agostinho Boso, de 66 anos, só pensa em aproveitar o tempo com a família.
Agostinho Boso foi sequestrado no dia de 24 de janeiro de 2020 – Foto: Reprodução NDTVExatamente um ano após o sequestro que chocou a cidade de Joinville, no Norte de Santa Catarina, Agostinho contou com detalhes de como aconteceu o sequestro relâmpago e desabafou sobre a dificuldade que está sendo em voltar com a vida e a rotina de antes.
Ele foi dado como desaparecido na manhã do dia 24 de dezembro de 2020, depois de sumir ao ser chamado para realizar um serviço no bairro Boehmerwald. O guincheiro ficou seis dias em cativeiro, em uma chácara na cidade de Guaratuba, no Paraná.
SeguirEmbora esteja se recuperando do susto e das marcas, visíveis ou invisíveis, do sequestro, Agostinho afirma do que ainda tem receio de sair às ruas.
Marcas da tortura no corpo de Agostinho – Foto: Reprodução NDTV“Muito medo de sair na rua, medo de sair sozinho, chega seis horas eu já fecho a casa , me tranco dentro de casa, sempre parece que alguém vai encostar em mim, me leve de volta, tenho muito medo”.
Entenda o caso
O sequestro aconteceu no bairro Boehmerwald, em Joinville, e seria o terceiro serviço no dia de sábado, dia 24 de dezembro. No mesmo dia, o caminhão de Agostinho foi encontrado no bairro Petrópolis.
“Cheguei no bairro Boehmerwald, no serviço, e encostei o caminhão de ré para guinchar. O sequestrador estava lá no carro de capô aberto. Eu mandei ele entrar no caminhão. Quando eu abaixei minha cabeça ele apontou a arma na minha cabeça ele disse: tio, perdeu, é um assalto… Jogaram um cobertor na minha cabeça e me jogaram dentro do carro”, conta Agostinho.
Era o começo do sequestro. Ele foi levado à uma chácara em Guaratuba, no Paraná. Durante seis longos dias em cativeiro, ele ficou sem água e comida, além de ter ingerido substâncias tóxicas no corpo à força.
“Me botaram no quarto, fiquei deitado na cama. Eles me deram comprimido, estava dopado, tinham me dado “cinderela”. Eu saia do consciente e ia para o subconsciente, e assim foi durante os dias”.
Agostinho ao lado da esposa, Marli Teresinha – Foto: Reprodução NDTVNos primeiros dias do sequestro, o guincheiro era tratado como desaparecimento pela Polícia Civil.
Até que dois dias depois, no dia 26 de dezembro, a família de Agostinho passou a receber ligações dos criminosos solicitando dinheiro para libertá-lo. A partir daí, a Polícia Civil localizou o cativeiro e chegou ao local em que a vítima estava presa no dia 30 de dezembro.
A esposa, Marli Teresinha Boso, relata que, durante o sequestro, sempre manteve a esperança de encontrar o marido.
“Eu comentava com todo mundo que perguntava que ele iria voltar vivo, ele não vai morrer. Olhava todo dia na janela e no portão pra ver se ele aparecia”.
E segundo ela, após um ano do sequestro, ela projeta um 2022 bem melhor para a família. “Agora renovou, cabeça para cima de novo com a família”.