Contribuiu a repórter Daniela Meller
Uma das ex-mulheres do padrasto de Luna Natielli Bonet Gonçalves, menina de 11 anos que foi assassinada em Timbó, no Médio Vale do Itajaí, quebrou o silêncio e relatou ter vivido momentos de terror durante os três anos de relacionamento. Ela se apresentou à delegacia voluntariamente para depor no inquérito que apura a participação da mãe e padrasto na morte da criança.
Ex-mulher de padrasto de Luna se apresentou à delegacia voluntariamente para depor no inquérito – Foto: NDTV Record TV/BlumenauA mulher de 36 anos, que não quis ser identificada, relata que conviveu com o padrasto de Luna por três anos. Durante este tempo passou foi agredida e torturada física e psicologicamente. “Eu não podia sair de casa, muito menos conversar com algum homem. Ele falava que ia me cegar para eu nunca mais ver ninguém. Cheguei a acreditar que iria morrer”, conta a mulher.
SeguirEla ainda diz que o ex não autorizava que ela assistisse TV. Nestes casos, segundo a mulher, se ela estivesse assistindo e aparece algum homem na TV, ele batia nela. Além disso, o homem também obrigava a ex-companheira a usar as roupas dele, que eram mais largas. Ele justificava que as roupas mais largas iriam fazer com que as pessoas não olhassem para ela.
Ex-mulher era levada para locais diferentes para apanhar
A mulher contou que o homem a levava para lugares remotos, até mesmo em cemitérios, para a agredir. Eles iam na moto, e a viseira do capacete dela era pintada de preto para que ela não pudesse ver para onde estava indo.
“Eu nunca sabia onde era, só sabia quando chegava à cidade, às vezes era em cemitério, ou era no meio do matagal em locais rurais”, comenta.
A vítima afirma que o homem só fazia isso quando a mãe dele estava em casa, pois quando ela saia as agressões eram na residência. “Algumas vezes eu cheguei a desmaiar e quando eu acordava, ele me batia mais ainda”, diz.
Além de apanhar, a mulher conta que o homem tinha um cachorro adestrado, o qual ele mesmo ordenava que a atacasse caso ela pensasse em sair de casa. “Uma vez o cachorro me mordeu, e a porta estava aberta. Eu saí correndo para fechar, mas fiquei com medo que ele conseguisse pular a janela que estava aberta”, desabafa.
A reportagem do ND+ tentou entrar em contato com um dos advogados que estaria trabalhando na defesa do réu, mas não teve retorno. O espaço para contraponto está aberto.
O que se sabe sobre o caso Luna
Pouco mais de uma semana após Luna Natielli Bonet Gonçalves ser levada já sem vida ao hospital, a Polícia Civil ainda atua para esclarecer pontos que rodeiam a morte da garota. O crime ocorreu em Timbó, no Vale do Itajaí, no dia 14 de abril.
O corpo da criança possuía sinais de violência, inclusive sexual, e a polícia aguarda o laudo pericial para investigar um possível crime de estupro contra a criança. O portal ND+ relacionou tudo que já foi esclarecido e quais pontos ainda precisam ser investigados pela Polícia Civil.