“Ele era uma pessoa muito feliz, um pai muito carinhoso, um marido muito dedicado à família. Ele tinha uma alegria imensa de viver, era muito feliz com a vida que tinha. Era um defensor da família, alegre, contente, trabalhador”. Foi assim que Juliana Leandro definiu o irmão, Anderson Leandro, assassinado pela companheira dentro de casa no dia 5 de julho, em Joinville, no Norte de Santa Catarina.
Mãe e irmãs de Anderson Leandro pedem prisão de mulher e justiça quase três meses após assassinato – Foto: Jonathan Rocha/NDTVEnquanto ela falava, a mãe não resistiu e deixou as lágrimas rolarem incessantemente pelo rosto ao lembrar-se do filho, morto aos 38 anos. “Andi” como era carinhosamente chamado pela família, deixou dois filhos de 10 e 12 anos.
A companheira se apresentou na delegacia, acompanhada de advogado, após o período de flagrante e confessou o crime. O homem foi morto com vários golpes de faca e marreta na casa em que morava com a família, no bairro Boa Vista, zona Leste da cidade. O crime chocou a comunidade e o corpo dele foi retirado de dentro de casa e colocado no quintal, em um carrinho de mão. Mesmo com a confissão, ela não está presa e a família pede por justiça.
SeguirSegundo o delegado Dirceu Silveira Junior, responsável pelo caso, a mulher alegou legítima defesa. “As alegações pela motivação é que na oportunidade a vítima teria tentado sufocá-la com um travesseiro e para se defender, ela fez uso de uma marreta e uma faca por várias vezes ceifando sua vida”, diz.
No entanto, para o delegado, o crime foi premeditado e ela deve ser indiciada por homicídio qualificado. “O que nós acreditamos pela conclusão do inquérito policial é que a indiciada praticou um crime premeditado, com requintes de crueldade pelos golpes de arma branca, uso de martelo até que ela tivesse certeza que a vítima estava sem vida. Logo em seguida ela tenta tirar a vítima, esconde em um carrinho de mão e encobre com uma lona”, completa.
A irmã lembra que no domingo a família estava reunida para comemorar a Primeira Eucaristia do filho de Andi. “Sinceramente, eu não consigo imaginar o que possa ter acontecido, tem vários pensamentos que vêm na mente, eu não consigo entender até agora porque eles pareciam um casal muito unido, tranquilo, sempre junto, um casal que construiu uma família bonita. No domingo eu estava lá, era eucaristia do filho que eu sou madrinha. Ele fez vários elogios a ela, sinceramente eu não consigo entender o porquê ela fez isso”, salienta.
Janaína Leandro, também irmã de Anderson, lembra que o casal sempre foi muito unido. “Eles eram um casal cúmplice, muito unido, nunca mostraram desavença, discussão, nada. Parecia um casal perfeito, faziam tudo juntos. Não era um casal que mostrava problemas, eles viviam sempre como se tivesse tudo certo. Ele parecia feliz, se não era, não demonstrava. Ele amava demais, fazia tudo pelos filhos”, conta.
A advogada Aline Tomaz ressalta que a família quer justiça e o primeiro passo, para a família é a prisão. “Para eles, o principal sentimento para iniciar essa justiça seria a prisão da assassina confessa”, fala.
Além disso, a motivação, acredita a família, foi financeira. Segundo a advogada, a companheira de Andi tem dois processos por furto, de R$ 30 mil e R$ 50 mil, o que pode ter motivado a briga e o crime. “A família desconfia que em algum momento ele soube dessa informação e confrontou ela, e quando confrontou gerou uma discussão central”, diz.
A família conta, ainda, que Anderson havia acabado de realizar um empréstimo para construir uma casa em um terreno na praia, no entanto, não chegou sequer a iniciar a construção. “Ela fez isso para poder administrar a poupancinha que eles tinham, ele tinha feito um empréstimo para construir uma casa no Ervino. No terreno não tem material nenhum de construção, onde foi parar isso?”, questiona uma das irmãs.
Quase três meses se passaram e tudo que a família quer é justiça. Após a investigação, o caso seguirá ao Ministério Público e, se for denunciada e tiver a denúncia acolhida, a companheira de Anderson será submetida ao Tribunal do Júri.