A família do inspetor de qualidade Valdevino Amaro ainda estava comemorando o fim do pagamento do empréstimo usado para reformar a casa quando recebeu uma triste notícia: eles precisavam deixar o imóvel em São Bento do Sul, no Planalto Norte de Santa Catarina.
A casa em que Valdevino, a esposa e a filha de 14 anos moravam está em uma área sob risco de deslizamento. É que a residência fica abaixo do nível da rua e o solo da via vem baixando cada vez mais, colocando em perigo tudo que está abaixo. Por isso, a família teve que deixar o local.
“Eu não estou conseguindo dormir, mas não tenho do que reclamar porque o importante é estar vivo. Vamos recomeçar tudo de volta, não tem o que fazer, é vida que segue”, diz Valdevino, sem esconder os olhos embaçados pelas lágrimas.
SeguirAgora, ele e a família moram em uma casa locada a partir do aluguel social, benefício da prefeitura para pessoas em situação de vulnerabilidade. A concessão deve durar seis meses.
Terreno cedeu um metro em duas semanas
O coordenador da Defesa Civil da cidade, Vilmar Kravec, conta que a situação na rua Jaraguá do Sul, que fica no bairro 25 de Julho, vem piorando com o tempo.
“No primeiro momento houve rachaduras e 24 horas já tinha baixado 10 centímetros. A cada visita que a gente fazia já tinha baixado mais. Então, tivemos que fazer a prevenção tirando os moradores daqui”, explica.
Além da casa de Valdevino, outra residência sem moradores também foi interditada. Na rua, a Celesc já mudou os postes de lugar e o Samae instalou uma rede auxiliar para evitar que as residências fiquem sem água caso o terreno não pare de ceder.
A Defesa Civil também já avisou os moradores sobre o risco para outras casas. “Todos estão cientes de que há a possibilidade de não ser só nessa parte, mas de aumentar o desmoronamento”, fala Vilmar.
Terreno já baixou cerca de um metro – Foto: Jonathan Rocha/NDTVO aposentado Adolfo Moreira Filho, de 74 anos, disse que nunca viu algo parecido no lugar em que vive há 21 anos. “Para mim é um mistério, mas eu estou preparado”, lamenta.
Ainda não se sabe o motivo da erosão, mas um geólogo da Amunesc (Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina) esteve no local para emitir um laudo sobre a situação, que deve ficar pronto na próxima semana.
*Com informações de Tábata Porti, repórter da NDTV Joinville.