Famílias se despedem de jovens assassinadas em Joinville

Nas zonas Oeste e Sul da cidade, familiares e amigos acompanharam sepultamento das jovens encontradas mortas na terça

Adrieli Evarini Joinville

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“Por que eu não dei um abraço nela, pai? Por que eu não abracei?”. O choro inconsolável e a tristeza por uma despedida sem abraços e sem beijos ecoava pelo Cemitério da Estrada Motucas na tarde desta quarta-feira (14). A irmã de Gabriela Thays Rodrigues era amparada por familiares e amigos enquanto também servia de amparo para a mãe enquanto as cordas do caixão que guardava o corpo da jovem de 20 anos eram baixadas. “Que saudade da minha irmã. Eu te amo, Gabriela”, dizia entre lágrimas a adolescente.

Enterro Gabriela Cemitério Estrada Motuca - Luciano Moraes/ND
Amigos e familiares de Gabriela se despediram da jovem de  20 anos, assassinada e encontrada morta ao lado da amiga – Luciano Moraes/ND

De carro, moto, bicicleta, de ônibus ou a pé, amigos e familiares chegaram ao cemitério e fizeram a última oração pela jovem encontrada morta ao lado da amiga Suellen Maia, de 21 anos, na manhã de terça-feira. “É bem difícil, muito doloroso. Ela era tão novinha. É difícil ver que a pessoa está contigo em um dia e no outro já não está mais, assim, do nada”, lamentou outra irmã de Gabriela, que não quis ser identificada. Ela contou ainda que Gabriela morreu no mesmo dia que o irmão se foi, 19 anos atrás, também aos 20 anos.

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Com outros quatro irmãos, Gabriela era, segundo a irmã mais velha, muito querida por todos. “Ela era bem carinhosa, atenciosa com a mãe. Visitava ela todos os dias”, disse. A jovem morava com a amiga Suellen em uma quitinete próxima à casa da família, no bairro Vila Nova, zona Oeste da cidade.

A amiga de Gabriela, encontrada morta ao seu lado, foi sepultada no Cemitério Nossa Senhora de Fátima, bairro Itaum, zona Sul de Joinville. Abalada, a família afirmou que qualquer boato sobre envolvimento da jovem de 21 anos com as drogas é falso. “Minha filha não era metida com isso e uma mãe sabe quando o filho está envolvido com drogas”, relatou. A irmã de Suellen, que assim como a mãe não quis ser identificada, também disse, durante a manhã desta quarta, que a irmã não consumia ou tinha envolvimento com drogas. “Minha irmã tinha, inclusive, medo desse mundo por conhecer pessoas envolvidas com isso. Falaram que ela era a perdida e isso é uma mentira”, enfatizou.

As duas amigas foram encontradas mortas em um terreno da Estrada Vigorelli, zona Norte e, segundo o delegado Fabiano Silveira, responsável pelo inquérito, as duas foram mortas no mesmo local em que foram encontradas.

A notícia da morte foi recebida pela irmã de Gabriela através das redes sociais. Ela conta que uma prima recebeu, logo cedo, uma mensagem com imagens dos corpos das duas mulheres mortas e foi a partir desse reconhecimento da foto que ela precisou contar à mãe. “Primeiro quis ver para ter certeza, depois fui contar pra minha mãe, foi um baque muito grande”, conta. A mãe não resistiu à chegada do corpo da filha, que foi velada na casa da família, e precisou ser encaminhada ao hospital, onde ficou internada até a manhã. Segundo ela, Gabriela estava morando com a amiga e atualmente não estudava nem trabalhava.

A investigação iniciou ainda na manhã de terça e diversas diligências já foram realizadas pela equipe da Delegacia de Homicídios, que apura o caso. O delegado Fabiano informou que as duas amigas moravam juntas há cerca de um mês. “Existem indícios fortes que apontam para os suspeitos”, explicou. Segundo ele, a motivação ainda é desconhecida e, após identificar formalmente os suspeitos – que são, pelo menos dois – a motivação será o passo seguinte. “A motivação ainda é uma incógnita, temos algumas linhas de investigação, mas nenhuma hipótese está descartada”, completou.

Durante esta quinta-feira, o delegado deverá ouvir familiares das duas vítimas. Seis depoimentos estão marcados.

Para colaborar com a Delegacia de Homicídios, repassar informações e realizar denúncias, basta ligar no Disque Denúncias 181. Também é possível entrar em contato através do telefone (47) 3481-2456 e da página da Delegacia de Homicídios no Facebook. As informações serão mantidas em sigilo.

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