Na sexta-feira (27), o tenente-coronel da PM José Ivan Schelavin deixou o comando do Batalhão de Operações Especiais de SC e lançou o livro “Bope – Guardião de missões especiais”, do qual foi organizador.
O livro resgata histórias de superação e bastidores de operações desde o final da década de 1970, quando o grupo de elite surgiu dentro do 4º BPM.
Tenente-coronel José Ivan Schelavin, ex-comandante do Bope- Foto: Divulgação/NDComo surgiu a ideia do livro?
Quando cheguei no comando do Bope, percebi muitos desencontros sobre a história do batalhão especial. O livro representa, além de um resgate histórico, um descortinar do lado emotivo e da superação dos policiais. E revela bastidores de algumas operações policiais: o que tem por trás de uma ocorrência de altíssimo risco e como são as decisões em situações de gerenciamento de crise.
Cite alguns casos que marcaram a trajetória do Bope e que estão no livro
Uma ocorrência envolveu o filho do proprietário de uma grande empresa, que foi tomado como refém e exigiu uma negociação para prender o criminoso. Há também o caso do advogado de Balneário Camboriú que matou a companheira, também advogada em 2019, e que resultou na negociação mais demorada do Bope. Durou 24 horas. O advogado acabou se rendendo e foi preso.
O livro também cita uma ocorrência em Mirim Doce, que é considerada divisor de águas em patrulha rural. Durante sete dias no Carnaval de 2019, a tropa ficou cercando os criminosos, que tinham assaltado agências bancárias. Quatro deles foram presos e dois foram mortos em confronto.
Homens do Bope passam por treinamento rigoroso e atuam em casos de alto risco – Foto: PMSC/DIvulgação/NDComo está o Bope de SC em relação a outros Estados do país?
Em termos de doutrina está entre os primeiros. Em equipamentos, ainda estamos um pouco aquém em relação a outros Estados. Mas o material humano catarinense é diferenciado. Quando fazem cursos fora do Estado, nossos profissionais normalmente são muito bem ranqueados.
A legislação atual estimula a impunidade?
Fazer segurança pública está cada vez mais difícil. A legislação cada vez mais branda para o criminoso e mais complicada para o policial. As progressões de regime, por exemplo, fazem com que o criminoso de alta periculosidade saia rápido do sistema penitenciário.