De janeiro até junho de 2021, 19 mulheres já foram vítimas de feminicídio em Santa Catarina. O ano começou com queda neste tipo de crime. Em 2019, por exemplo, foram 10 casos a mais no mesmo período. Mas, com a chegada do mês de junho, a violência cresceu. Foram sete casos em poucos dias e a maior parte das vítimas não conseguiu procurar a polícia para relatar situações de ameaça ou agressão antes do crime acontecer. As informações são da Polícia Civil.
Em 16 dias de junho, SC registrou sete feminicídios – Foto: Pixabay“Não subestime o agressor. O cidadão pode estar num momento de muita raiva, porque é um crime de ódio o feminicídio, e a mulher não percebe. (…) a mulher não pode jamais subestimar o seu agressor”, alerta a coordenadora das DPCAMIs (Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso), Patrícia Zimmermann.
Confira os dados:
- 2021
Feminicídios em SC
Junho – 7 casos
Maio – 1 casos
Abril – 3 casos
Maço – 4 casos
Fevereiro – 2 casos
Janeiro – 2 casos - Comparativo com os últimos anos
Feminicídios em SC
2021 – 19 casos
2020 – 22 casos
2019 – 29 casos
2018 – 19 casos
* Dados da Polícia Civil referentes ao período entre 01/01 e 16/06 de 2021
Em casa o dia todo por conta da pandemia de Covid-19, muitas famílias vivem à sombra do medo. O psicólogo Narbal Silva explica que “a medida que as pessoas foram para o confinamento, isso potencializou muito o estresse, angústia, tensão. A letalidade do vírus tem efeitos perversos na saúde mental das pessoas”.
Patrícia Zimmermann ressalta que “existem mecanismos para se socorrer, prestar apoio para as mulheres. A mulher da sua casa pode acessar a delegacia virtual e fazer o seu boletim de ocorrência em casa. Tá com dificuldade, não consegue sair, liga pro 181, manda uma mensagem para o Whatsapp da Polícia Civil. O objetivo é chegar antes que a violência vire feminicídio”.
Dos 19 feminicídios ocorridos este ano, apenas três vítimas tinham procurado a polícia para registrar boletim de ocorrência contra os agressores. Para a assistente social Luciana Telles Rodrigues Rovaris, muitas mulheres têm dificuldade de se reconhecer como uma vítima de violência e por isso não procuram ajuda: “Às vezes tá tão banalizado na relação que ela não consegue ver aquilo como uma violência física”.
A assistente social é coordenadora do Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. Este espaço oferece acolhimento e atendimento social, psicológico e orientação jurídica às vítimas de violência e fica ao lado da Delegacia da Mulher, no bairro Agronômica, em Florianópolis. “Não precisa tá agendando, tá marcando um horário, nem nada. A mulher pode tá espontaneamente vindo ao serviço. Também não tá linkado o atendimento ter feito BO ou ter pedido medida [protetiva], não precisa nada. A gente tá atendendo pelo telefone, tá atendendo presencialmente”, destaca Luciana.
O pedido de ajuda se torna ainda mais importante diante da mudança de hábitos, por conta da pandemia. “Dependendo das patologias do agressor, que já traz consigo esse potencial, mas em outras circunstâncias não são tão fáceis de serem expressas, o confinamento trouxe uma proteção de quatro paredes ao agressor”, acredita Narbal Silva.
A delegada Patrícia incentiva as vítimas a procurar ajuda: “A Polícia Civil tem avançado na tecnologia no que diz respeito à instrução de inquérito, atendimento dessas vítimas de casa. Existem meios. Nós precisamos que as mulheres confiem no trabalho e não subestimem jamais o seu agressor. Não é porque é o pai dos seus filhos, não é porque é o homem que ela convive há algum tempo que ele não possa fazer algo tão grave. Esse cidadão pode estar perturbado a tal ponto de tirar a vida da sua mulher ou até mesmo de suas filhas. Isso nos choca muito”.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.