Florianópolis é a cidade catarinense com mais casos de violência doméstica em 2021. Segundo dados da Polícia Civil de Santa Catarina, foram registradas 2.901 vítimas desse tipo de violência no município só este ano.
“É um tema bem sensível que implica a mulher denunciar esses crimes logo no início, quando começa uma ameaça, um xingamento e que vai desaguar numa lesão, numa agressão física ou até na morte, no feminicídio”, alertou a delegada da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso da Capital), Debora Mariani.
Atendimento gratuito à mulheres em situação de violência
A capital catarinense conta com um centro especializado em atendimento às mulheres vítimas de situações de violência. O Cremv (Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência) fornece atendimentos totalmente gratuitos, através de profissionais também mulheres, que promovem assistência social e psicológica.
A equipe do espaço é composta por mulheres, uma forma de facilitar o acolhimento visto que, na grande maioria dos casos, o agressor é um homem. O Cremv possui atendimentos psicossociais, rodas de conversas e outros meios para interação social. O espaço atende em média 17 mulheres por mês.
“No primeiro momento, a mulher está insegura, com medo, não quer fazer BO (boletim de ocorrência), não quer fazer nada judicial. A ideia do serviço é dar essa escuta qualificada com profissionais especializados, para que escutem com cuidado, sem julgamentos, sem cobrar que faça isso ou faça aquilo, mas que ela possa entender o que está acontecendo com ela, porque muitas das vezes elas não identificam o que estão passando”, explicou a coordenadora do Cremv, Luciana Telles Rodrigues.
Cremv presta atendimento à mulheres vítimas de violência – Foto: Divulgação/PMF/Divulgação/NDSegundo Luciana, “de imediato, [as vítimas] trazem que sofrem violência psicológica, mas durante o atendimento, ao serem questionadas sobre outros tipos de violência, elas percebem que também sofreram outras. (…) A dificuldade às vezes de procurar auxílio é o medo de ter que fazer um BO”.
O atendimento pode ser feito tanto presencialmente, como por telefone com avaliação da equipe que dará o encaminhamento para cada caso. O local fica na Rua Delmilda da Silveira, sem número, ao lado da 6ª DP da Capital, no bairro Agronômica. Para contato por telefone, as mulheres devem acionar os números (48) 3224-7373 ou o (48) 3224-6605. Há ainda a possibilidade de atendimento por e-mail por meio do endereço cremv@pmf.sc.gov.br.
Aluguel social para vítimas em São José
São José, na Grande Florianópolis, foi o quinto município do Estado em número de ocorrências de violência doméstica, com 1.410 vítimas registradas. Nessa semana, a câmara de vereadores da cidade aprovou um projeto de lei que permite que o Município pague o aluguel social de mulheres vítimas de violência doméstica, que pretendem sair de casa por conta de agressões.
Muitas vezes as vítimas acabam ficando na mesma casa que o agressor por não ter condições financeiras de sair. O projeto do aluguel social para mulheres vítimas de violência segue agora para sanção do prefeito Orvino Coelho de Ávila.
Confira os dados em SC
No Estado, a maioria das ocorrências aconteceram no período da noite (38,02%) e a ameaça é o principal crime relatado pelas mulheres, com 16.479 denúncias, seguida pela lesão corporal dolosa leve (8.291).
Confira os dados da Polícia Civil referente ao ano de 2021:
- Os registros dos boletins de ocorrência ocorreram da seguinte forma:
- 63,09% por meio do SISP (Sistema Integrado de Segurança Pública);
- 19,75% por meio da Delegacia Virtual (Site PCSC);
- 17,16% por meio da PMSC Mobile;
- Horário de Ocorrência dos Fatos:
- 38,02% – Noite
- 31,81% – Tarde
- 19,15% – Manhã
- 11,02% – Madrugada
- Municípios:
- Florianópolis – 2.901 vítimas
- Joinville – 2.368 vítimas
- Blumenau – 1.753 vítima
- Chapecó – 1.603 vítimas
- São José – 1.410 vítimas
- Palhoça – 1.245 vítimas
- Crimes:
- Ameaça – 16.479
- Lesão Corporal Dolosa Leve – 8.291
- Injúria – 5.472
- Vias de Fato – 1.932
- Dano – 1.634
- Difamação – 1.627
- Descumprimento de Medida Protetiva de Urgência – 1.586
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.