Bastaram alguns minutos de chuva para que os telefones dos Bombeiros Voluntários de São Francisco do Sul, no Litoral Norte, começassem a tocar. A virada de ano para os moradores da cidade foi de angústia, muita chuva e contabilização dos estragos. Em 12 horas, o acumulado de chuva, segundo a Defesa Civil, foi de 192 milímetros.
De acordo com o chefe da equipe dos bombeiros, Luís Roberto da Silva, a chuva mais forte iniciou por volta das 21h20 e 10 minutos depois iniciaram os chamados. “Muitos barrancos deslizaram, árvores caídas na pista, algumas pessoas precisaram ser atendidas e outras foram encaminhadas para o abrigo montado”, conta.
Quatro pessoas precisaram ser encaminhadas ao hospital, três mulheres e uma criança. “Tivemos que levar todos de caminhão, com a viatura pequena não passava”, complementa. De acordo com o Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Graça, todos foram liberados.
Foram oito chamados de deslizamento e, em alguns casos, a terra que desceu dos barrancos chegou muito próximo à residência, mas não há registro de feridos nessas situações. Na manhã desta sexta-feira (1º), cerca de 10 pessoas estavam nos abrigos montados na cidade. Três foram organizados: na Primeira Igreja Batista, no Centro da cidade, na Escola Rogério Zattar, em Ubatuba e na Escola Valdemar da Costa, no bairro Água Branca.
Apesar de continuar chovendo, os alagamentos se dissiparam e os trabalhos estão concentrados na retirada das árvores e monitoramento dos deslizamentos e áreas de risco. Os bairros mais afetados foram o Centro, Tapera, Rocio Pequeno, Rocio Grande e Acaraí.
Morador de São Francisco do Sul há 40 anos, o borracheiro Vânio Régis diz que é a primeira vez que os alagamentos atingem tantas residências. “Foi uma chuva muito forte, alagou tudo muito rápido, encheu tudo. Nunca vi nada assim, só mais baixo, mas assim, nunca vi”, fala.
Segundo Ozani de Oliveira, morador da cidade, a chuva durou cerca de uma hora e foi suficiente para causar estragos nas casas de familiares. “É lamentável o que aconteceu aqui. Em 2010 teve algo parecido, com mais ou menos 12 centímetros de água entrando em casa, mas dessa vez triplicou a vazão da água e comprometeu as casas. Estamos ilhados e nessa situação”, lamenta.