PF desmonta esquema de sonegação fiscal em fábrica de barcos que desviou R$ 400 milhões

As ordens judiciais de busca e apreensão, e bloqueio de bens são cumpridas nas cidades de Florianópolis e Palhoça

Foto de Vivian Leal

Vivian Leal Florianópolis

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Uma fábrica de barcos com atuação na Grande Florianópolis, foi alvo de operação conjunta da Receita Federal, Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e Polícia Federal, na manhã desta sexta-feira (22). Segundo a investigação, a empresa, acumula dívidas por sonegação fiscal na casa dos R$ 400 milhões.

Mandados contra fábrica de barcos de luxo são cumpridos nas cidades de Palhoça e Florianópolis Mandados contra fábrica de barcos são cumpridos nas cidades de Palhoça e Florianópolis – Foto: PF/ Reprodução/ ND

São cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Florianópolis e Palhoça. Foi determinado, ainda, o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros, e o sequestro de bens e valores até um total de R$ 400 milhões, com objetivo de ressarcir os cofres público.

Conforme informações da Receita Federal, a empresa de barcos apresentava franca expansão nas vendas, mas sem realizar o correspondente recolhimento dos tributos.

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Empresa de barcos é suspeita de sonegação fiscal de R$ 400 milhões

A fábrica é investigada pela Receita Federal desde o ano 2010, quando deixou de realizar o recolhimento correto de impostos. Segundo a Receita Federal, a empresa de venda de barcos criou subterfúgios para se esquivar de ações de cobranças administrativas e judiciais.

Polícia Federal e Receita Federal localizam dinheiro em espécie durante operação contra sonegação fiscal – Vídeo: PF/ Reprodução/ ND

A Receita Federal obteve, ao longo da atuação, penhora de 5% sobre o faturamento da empresa principal, além do bloqueio de embarcações para pagamento da dívida, que só crescia ano após ano. A fábrica, contudo, manteve a inadimplência junto aos órgãos federais.

A investigação apontou indícios de evasão de divisas e subfaturamento das vendas, que deu origem à representação criminal. Posteriormente, foi identificada a criação de uma empresa de fachada para ocultar o faturamento e fraudar a penhora, dando ensejo a corresponsabilização da nova empresa e nomeação de administrador judicial para gerir o bloqueio.

Investigados levavam vida de luxo, incompatível com rendimentos declarados à Receita Federal, diz investigaçãoInvestigados levavam vida incompatível com rendimentos declarados à Receita Federal, diz investigação – Foto: PF/ Reprodução/ ND

PF localiza dinheiro em espécie e apreende itens de valor

Em decorrência da dívida crescente, a empresa aderiu ao parcelamento especial para o setor de eventos, com redução de 70% do montante devido. A investigação mostrou, no entanto, que os empresários se utilizavam de endereços no Brasil e exterior para ocultação de patrimônio.

Os investigados mantinham um alto padrão de vida, incompatível com os rendimentos declarados. Durante a operação, denominada Pérola Negra, foram apreendidos dinheiro em espécie, carros e acessórios de valor, e outros itens que podem auxiliar no andamento das investigações.