Relacionamentos abusivos: psicanalista dá dicas para ‘fugir de vez’ do ciclo de violência

A psicanalista e terapeuta sexual e comportamental Cris Pereira Cris Pereira fala sobre os primeiros indícios de uma relação abusiva e dá dicas como "cair fora"

Foto de Lídia Gabriella

Lídia Gabriella Florianópolis

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Os registros de crimes de feminicídio e violência doméstica seguem alarmantes em Santa Catarina. Somente entre janeiro e julho de 2023, cerca de 9.729 mulheres foram vítimas de lesão corporal no Estado. E a maioria das agressões é praticada pelos parceiros das vítimas. Mas como reconhecer os primeiros indícios de uma relação abusiva e se libertar do ciclo de violência?

abusivosPsicanalista explica como se livrar de relacionamentos abusivos – Foto: Freepik/ND

O caso mais recente aconteceu em Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense, no dia 19 de agosto, quando um homem foi preso por manter a ex-esposa em cativeiro. Ela foi encontrada com os olhos inchados, roxos e lesionados.

No último sábado (26), uma mulher de 45 anos foi morta pelo marido após levar um soco no pescoço em Guaramirim. Segundo a PM, um jornalista teria entrado em contato com a guarnição após o mesmo homem ter dito para ele que havia matado a esposa.

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No Brasil, quase 29% das mulheres relataram ter sido vítimas de violência. Por dia, são cerca de 50.962 casos, segundo a quarta edição da pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”, produzida pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).

Relacionamentos abusivos

A psicanalista e terapeuta sexual e comportamental Cris Pereira aconselha que antes de iniciar uma relação, a pessoa deve se atentar se o individuo está vindo de outros relacionamentos fracassados.

“Isso já pode ser um sinal de que tem algo de errado com essa pessoa”, nos relacionamentos abusivos há uma relação de poder e abuso de uma parte sobre a outra, segundo Cris.

No Brasil, quase 29% das mulheres relataram ter sido vítimas de violência – Foto: Divulgação/NDNo Brasil, quase 29% das mulheres relataram ter sido vítimas de violência – Foto: Divulgação/ND

Cris aconselha que, por mais difícil que seja, um dos primeiros passos é o abandono na dependência emocional. “A pessoa deve buscar se fortalecer, e se livrar da dependência emocional a ponto de se sentir uma pessoa segura de si e não precisar ser reconhecida, validada ou cuidada por alguém”, explica.

Ela diz ainda que muitas escolhas são padrões de repetição de comportamentos aprendidos na infância, ou seja, os pais já tinham uma relação abusiva ou tóxica. Dessa forma, a criança aprende que isso é um relacionamento e na fase adulta, apenas repete o mesmo padrão.

“Portanto, se você já vem de uma família onde a relação dos seus pais era assim e você percebe repetindo, busque terapia para ressignificar essa relação, se fortalecer, ter amor-próprio e construir relações saudáveis”, finaliza.

Centro de Florianópolis tem caminhada por combate ao feminicídio

Policiais e integrantes das forças de Segurança de Santa Catarina realizaram uma caminhada no Centro de Florianópolis. A iniciativa, que aconteceu nesta quinta-feira (31), faz parte das atividades da Operação Shamar em combate à violência contra a mulher e ao feminicídio no Estado.

Caminhada será pelo combate ao feminicídio e violência doméstica – Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasil/Divulgação/NDCaminhada será pelo combate ao feminicídio e violência doméstica – Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasil/Divulgação/ND

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), a intenção é sensibilizar e conscientizar a população para o tema.

O percurso prevê a saída da escadaria da Catedral, seguindo pela calçada da Praça XV, depois pelo calçadão da Rua Felipe Schmidt e descendo pela Rua Jerônimo Coelho. A chegada será no Ticen (Terminal de Integração do Centro).

Operação Shamar

De origem hebraica, o nome da operação significa “cuidar, guardar, proteger, vigiar, zelar”. A Operação Shamar é uma iniciativa nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Em Santa Catarina, a coordenação no Estado é da SSP e a operacionalidade será feita pelas polícias Militar, Civil, Científica e Corpo de Bombeiros Militar, principalmente por meio das unidades e programas especializados em ações de proteção às mulheres vítimas de violência, como as delegacias especializadas, o Programa Polícia Civil Por Elas, a Rede Catarina de Proteção à Mulher, o PCI Por Elas e as patrulhas Maria da Penha da Polícia Militar, entre outras.

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