‘Fui esperto’: preso na Presságio se gabou por fraudar sistema da prefeitura de Florianópolis

Renê Raul Justino é um dos presos na Operação Presságio, suspeito de firmar contratos supostamente fraudulentos na Prefeitura de Florianópolis

Foto de Leicilane Tomazini

Leicilane Tomazini Florianópolis

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Renê Raul Justino, um dos quatro presos durante a segunda fase da Operação Presságio realizada na última quarta-feira (29), teria se gabado por ser “esperto” ao fraudar o sistema da prefeitura de Florianópolis usado para o controle das prestações de contas dos projetos sociais, o ‘bússola’.

Presságio investigou fraude em sistema da prefeituraSistema da prefeitura de Florianópolis usado para o controle das prestações de contas dos projetos sociais – Foto: Divulgação/ND

“Eu fiz uma pequena sacanagem de propósito para facilitar nossa vida, eu coloquei o nome dos projetos e não o nome da entidade, até para não aparecer o nome das entidades que foram contempladas três vezes, tá. Então o que acontece: o nome dos projetos a gente muda no Bússola com uma facilidade absurda. Absurda, tá! Muito fácil de fazer isso! Eu fiz isso de propósito para poder fazer jogo, porque eu sabia que poderia dar uma merda porque, né, todo ano dá, então eu fui esperto nisso!”

Renê Raul Justino e Ed Pereira são apontados como participantes do esquema de corrupção investigado na Operação Presságio – Foto: Reprodução/Instagram/NDRenê Raul Justino e Ed Pereira são apontados como participantes do esquema de corrupção investigado na Operação Presságio – Foto: Reprodução/Instagram/ND

O trecho acima pertence a um áudio enviado por Renê para Ed Pereira, o dia 19 de maio de 2023. As provas foram obtidas pela Polícia Civil durante as investigações.

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Segundo consta no processo, a mensagem enviada para Ed Pereira explicava algumas artimanhas que teria realizado no bússola, “demonstrando a facilidade para burlar tal sistema”. “Cabe aqui trazer à tona a fragilidade do sistema Bússola, o qual pode ser alterado pelos usuários a qualquer tempo”, afirma o documento.

O que diz a prefeitura sobre o sistema citado na Operação Presságio

Questionada sobre as declarações da Polícia Civil quanto à fragilidade do bússola, a Prefeitura de Florianópolis informou que o sistema é utilizado para registro de projetos e das respectivas prestações de contas. “As notas não são geradas nesse sistema, e sim são colocadas lá para análise da Controladoria, ajudando na transparência”.

E completou: “Não facilitou as ações, ao contrário, ajudou a detectar as irregularidades. Por meio do Núcleo Anticorrupção, a Prefeitura segue colaborando com as investigações da Polícia Civil e, inclusive, disponibilizou para ela acesso ilimitado ao sistema mencionado.”

O que diz a empresa Bússola Social?

Por meio de nota ao ND Mais, a empresa Bússola Social afirma que possui contrato vigente com a prefeitura de Florianópolis para fornecer o sistema de gestão de parcerias, e que, segundo eles, cumpre rigorosamente todas as suas obrigações legais e contratuais.

“Em relação à investigação que vem sendo realizada pela Polícia Civil, até o momento a empresa não foi procurada para oferecer qualquer esclarecimento, mas se coloca à disposição para auxiliar no que for necessário”, afirmam.

A empresa reforça ainda que as interações no Bússola são realizadas exclusivamente por pessoas autorizadas pela prefeitura ou pelas organizações conveniadas.