Na latinha de refrigerante, na panela, no portão. O alumínio, que está bastante presente no dia a dia das pessoas, tem chamado cada vez mais a atenção de criminosos. Em Joinville, no Norte de Santa Catarina, nem os cemitérios escapam.
Ismael visita frequentemente o túmulo do filho e diz que situação é frequente – Foto: Reprodução/NDTVNo cemitério São Sebastião, no bairro Iririú, por exemplo, a maioria das esquadrias colocadas no túmulos já foi furtada. O aposentado Ismael Henrique Bernardes conta que já trocou quatro vezes o acessório do túmulo do filho.
“Dá uma revolta na gente. Muitas vezes eu até chorei por causa disso. Porque eu acho que cemitério é um lugar de respeito, é onde estão nossos entes queridos”, lamenta.
SeguirGrande parte das sepulturas, inclusive, já foram violadas. Como nem sempre os criminosos conseguem levar todas as peças de alumínio, algumas ficam jogadas no chão do cemitério, para buscarem em “uma próxima vez”.
A engenheira metalurgista Josiane Riani explica que o material é atrativo pois, além de valioso, é bastante prático.
“É um metal leve – isso é importante nas aplicações, principalmente na indústria do transporte. O metal leve traz uma economia de combustível”, comenta. “Ele também é anticorrosivo e de fácil reciclagem”, completa.
Como é a dinâmica
O alumínio furtado sempre vai para algum lugar. Geralmente, comércios de sucata que pagam por quilo do metal. O ciclo, no entanto, só pode ser interrompido se o comprador exigir a comprovação da procedência do material.
Esquadrias de túmulos estão sendo roubadas – Foto: Reprodução/NDTVEm julho deste ano, por exemplo, foram apreendidos 400 kg de fios em Joinville – a maioria de alumínio. O material estava em um ferro velho da cidade. Duas pessoas foram presas na ocasião.
Em uma fiscalização mais recente, 200 metros de cabeamento elétrico furtado, além de tampas de bueiros, foram encontrados em uma sucata na zona Sul da cidade. Uma pessoa foi presa.
“A princípio, nós analisamos de forma isolada esses crimes”, afirma o delegado Murilo Batalha, da DIC (Divisão de Investigação Criminal).
“A gente percebe que, normalmente, quem pratica esses furtos são usuários de entorpecentes, pessoas que acabam praticando esses crimes para revender e conseguir dinheiro para sustentar o vício”, complementa.
No cemitério São Sebastião, furtos de alumínio são uma realidade – Foto: Reprodução/NDTVDe acordo com o delegado, no entanto, o problema não para por aí. “Se nós olharmos de uma forma geral, esse crimes estão gerando um lucro para uma organização criminosa atuante no Estado, que está se beneficiando com a venda desses materiais”, explica.
“Então, por mais que os furtadores acabem praticando esses crimes para conseguir dinheiro, muitas vezes, até para comprar um entorpecente, toda a dinâmica por trás do furto esta sustentando esses receptadores”, afirma.