Em Florianópolis, os furtos de celular cresceram 58% em 2022 em comparação ao ano anterior, segundo dados da SSP/SC (Secretaria de Segurança Pública) obtidos via Lei de Acesso à Informação. Os dados referentes a este ano foram contabilizados até o dia 20 de dezembro.
Aplicativos de rastreio auxiliam a localizar celular roubado – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/NDForam 3.481 furtos de celular em Florianópolis em 2022 entre 1º de janeiro até 20 de dezembro. São quase 1,3 mil casos a mais que os registrados em 2021, quando a Polícia Civil tomou ciência de 2205 aparelhos furtados.
O furto é a subtração do bem sem violência. É quando, por exemplo, o criminoso toma o aparelho da bolsa da vítima no momento que ela está distraída. Há ainda o furto qualificado, quando o ladrão vence uma “barreira” para tomar o item – pula muro, destrói a fechadura, etc.
SeguirA quantidade de furtos de celular em Florianópolis em 2022 é a maior desde 2019, ano em que a SSP passou a contabilizar o crime. Nos dois anos de pandemia de Covid-19, o número de ocorrências caiu.
Os dados mostram que o crescimento dos casos de furto de celular em Florianópolis neste ano supera o dobro do registrado em todo o Estado, onde as ocorrências aumentaram 24,3%.
Por outro lado, diminuíram os crimes de roubo em Florianópolis em 2022 – quando o criminoso ameaça ou fere a vítima para tomar o aparelho. A queda foi de 45,3%: foram 980 casos em 2021 e 536 em 2022. Em 2019, ano mais crítico, 1014 aparelhos foram roubados.
Casos cresceram durante a pandemia, afirma delegada
O crescimento dos crimes contra o patrimônio (dentre os quais se enquadra o furto de celular) está associada à piora nas condições sociais durante a pandemia de Covid-19, afirma delegada Michele Alves Correa Rabelo, diretora de polícia da Grande Florianópolis.
“Depois da pandemia tivemos um boom em crimes como os eletrônicos, sexuais e os crimes contra a patrimônio”, explica a delegada, que já atuou durante um ano na investigação de roubos e furtos. “É um problema mundial”, ressalta.
“Constatamos que grande parte dos furtadores são público vulnerável. Tivemos aumento da população em situação de rua. Muitos usam drogas e, para manter o vício, eles precisam subtrair”, avalia Michele Alves.
Santa Catarina conta atualmente com 153,7 mil na extrema pobreza, é o maior número desde 2012, ano em que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) criou o indicador social.
Em 2023, ações serão reforçadas contra receptação
Após o assalto, os criminosos revendem os aparelhos furtados ou comercializam as peças do celular. Quem compra são os receptadores: desde quem adquire um celular roubado sem saber (o chamado receptador culposo) até quem comercializa tendo ciência da origem.
Dentre os esforços da Polícia Civil para diminuir o índice está um convênio firmado junto à prefeitura de Florianópolis no qual o órgão municipal subsidiará a investigação de uma série de crimes na Capital – dentre eles a receptação. O acordo foi assinado na última semana.
O objetivo é acelerar as investigações. “Teremos efetivamente uma parceria, na troca de informações e geração de conhecimento. O objetivo é que a gente trabalhe de forma integrada, tanto com os fiscais municipais como com a Guarda Municipal”, explica a delegada Michele Alves.