Golpe de carros: polícia rastreia empresas de fachada que lavaram R$ 100 mi de empresário de SC

Dinheiro de vítimas de golpe de carros teria sido pulverizado entre empresas de fachada, que lavavam a fortuna

Foto de Gabriela Ferrarez

Gabriela Ferrarez Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp
Na busca pelo dinheiro de vítimas de golpe de carros, polícia cumpriu mandados em quatro casas de três cidades de SC – Foto: PCSC/Divulgação/NDNa busca pelo dinheiro de vítimas de golpe de carros, polícia cumpriu mandados em quatro casas de três cidades de SC – Foto: PCSC/Divulgação/ND

A Polícia Civil rastreou o destino de R$ 100 milhões de um empresário catarinense preso por dar golpe com venda de carros na Grande Florianópolis. A Operação Veritas Pecuniae cumpriu 31 mandados de busca e apreensão em empresas de fachada e contra suspeitos de lavar o dinheiro das vítimas.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em nove estados: Santa Catarina, Tocantins, Pará, Goiás, Paraná, Maranhão, Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Em Santa Catarina, quatro residências foram alvo da polícia: duas em Biguaçu, uma em Palhoça e uma em Chapecó, no Oeste catarinense. Em Biguaçu, policiais apreenderam uma caminhonete e uma moto.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Na busca pelos endereços de quem lavava o dinheiro do golpe de carros, os policiais prenderam três pessoas em flagrante. No Rio Grande do Sul e em São Paulo, dois suspeitos foram presos por porte e posse ilegal de arma. Já na Bahia, um terceiro homem foi preso com dois veículos com placas adulteradas.

Alvos da operação receberam auxílio emergencial, mas movimentaram R$ 20 milhões na conta

Conforme o delegado Leonardo Silva, da Delegacia de Defraudações, a polícia também cumpriu mandados em clínicas médicas, empresas de autopeças e lojas de bebidas suspeitas de lavar a fortuna do empresário catarinense que dava o golpe de carros.

“São empresas de fachada, pessoas que receberam auxílio emergencial durante a pandemia, que não têm uma fonte lícita. Um suspeito declarou uma renda mensal de R$ 1,2 mil, mas movimentou R$ 20 milhões na conta”, detalhou o delegado.

  • 1 de 4
    Dinheiro roubado de vítimas de golpe de carros foi transferido para empresas de fachada, que lavavam o montante - PCSC/Divulgação/ND
    Dinheiro roubado de vítimas de golpe de carros foi transferido para empresas de fachada, que lavavam o montante - PCSC/Divulgação/ND
  • 2 de 4
    Alvos declaravam renda baixa, mas movimentavam milhões na conta - PCSC/Divulgação/ND
    Alvos declaravam renda baixa, mas movimentavam milhões na conta - PCSC/Divulgação/ND
  • 3 de 4
    Polícia apreendeu um carro e uma motocicleta em Biguaçu - PCSC/Divulgação/ND
    Polícia apreendeu um carro e uma motocicleta em Biguaçu - PCSC/Divulgação/ND
  • 4 de 4
    Durante a operação que rastreou o dinheiro do golpe de carros, a polícia cumpriu mandados em nove estados brasileiros - PCSC/Divulgação/ND
    Durante a operação que rastreou o dinheiro do golpe de carros, a polícia cumpriu mandados em nove estados brasileiros - PCSC/Divulgação/ND

Como empresário catarinense aplicava golpe de carros

A Operação Veritas Pecuniae começou a partir da prisão de um empresário catarinense, que tinha lojas de carros em São José e Biguaçu, na Grande Florianópolis. Ele foi preso em 2021 por vender carros para a região e para outros estados — por meio das redes sociais — e não os entregar.

Na época, antes de ser preso pelo golpe de carros, ele ficou três meses foragido. Quando a polícia teve acesso às movimentações bancárias do empresário, viu que ele tinha R$ 21 milhões na conta — R$ 3 milhões das vendas para vítimas de Santa Catarina e R$ 18 milhões de vendas para outros estados.

No entanto, a investigação percebeu que, ao todo, ele havia movimentado cerca de R$ 100 milhões para outras contas. Foi esse montante que motivou a operação, que investiga o grupo por estelionato e lavagem de dinheiro.