Os furtos de fios de luz não estão se limitando somente a postes nas ruas em Santa Catarina. No bairro Capoeiras, em Florianópolis, um sobrado onde moram cinco famílias teve os fios de energia arrancados de dentro do relógio de luz durante a madrugada do último sábado (18).
Local de onde foram arrancados os fios de luz da casa – Foto: Google/ReproduçãoDe acordo com a jornalista Rosana Ritta, que mora no local, por volta das 3h30 um grupo de jovens passou várias vezes em frente a casa. “Meu filho estava na sala, com a TV ligada e, na cara dura, eles roubaram a fiação elétrica da casa. Eles abriram a ‘portinha’ do relógio da luz e puxaram os fios”, explica.
“O pior é que não foram nem discretos, ouvi risadas, mas não fui olhar achando que era só uma turma passando na rua ou vizinhos. Neste momento a nossa energia oscilou, até apagar totalmente”, completa.
SeguirAs famílias então acionaram a Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina), porém, foram informadas que, como a fiação ficava do poste para dentro da propriedade, não era uma responsabilidade da empresa. No mesmo dia, contataram um eletricista que conseguiu fazer os reparos.
A reportagem questionou se havia sido feito um boletim de ocorrência pelas famílias, mas foi informada que não.
Roubos e prejuízos
Os fios de energia elétrica estão sendo furtados com recorrência em todo o Estado. Depois do roubo, eles são vendidos já que possuem um material de alto valor, o cobre. A preocupação com o número de casos levou a Celesc e a Polícia Civil a montarem uma força-tarefa de repressão a estes crimes
“Ano passado detectaram cerca de 1,8 mil ocorrências neste sentido. Isso envolvendo rede de distribuição e subestação. No ano de 2021, até meados de novembro, já havíamos registrados mais de 2,3 mil ocorrências dessa natureza”, explica André Cesconetto, assistente da presidência da Celesc.
Flagras de furtos de fios vêm sendo cada vez mais frequentes em SC – Foto: Reprodução/NDTVAlém dos fios, os criminosos estão indo mais longe e furtando inclusive transformadores, que além de gerar grande prejuízo à estatal responsável também são muito perigosos. Uma tomada em uma residência tem 220v e já é passível de choque. Já um transformador em uma rede possui 13.800v, explica a Celesc.
Situação em Florianópolis
Dados da Celesc apontam cerca de 1,9 mil ocorrências de furto de fios só no ano de 2021 na região da Grande Florianópolis. De acordo com as forças de segurança, foram aprendidos cerca de duas toneladas de cobre oriundos desses furtos.
“Esse crime tem três fases bem definidas. A coleta que é realizado majoritariamente por pessoas em situação de rua no horário da madrugada, depois tem os receptadores, a maioria deles localizados em ferros velhos ou ambientes de reciclagem não autorizados. E por último é o de entender para onde vai esse material”, explica o coronel Araújo Gomes, secretário de Segurança Pública de Florianópolis.
Força-tarefa
Em razão de tantos incidentes, uma força-tarefa foi montada entre a presidência da Celesc e a delegacia-geral de Polícia Civil. O objetivo é a intensificação das medidas de repressão aos furtos de fiação elétrica em Santa Catarina.
“Esses números estão crescendo e o investimento em vigilância, por exemplo, e todo o monitoramento que a gente faz, isoladamente é uma medida necessária, mas não é suficiente. Isso nos fez procurar as forças policiais para deflagar algumas ações mais estruturantes para coibirmos esse tipo de atitude criminosa”, afirma Cesconetto.
A Polícia Civil deflagrou a operação “Apolo” em combate aos furtos e à receptação de fiação elétrica nesta terça-feira (21). A ação aconteceu em 28 cidades de Santa Catarina.
O balanço final da operação mostra que dos 168 estabelecimentos fiscalizados, 10 foram autuados. Um total de 1.835 quilos de fios de cobre foram apreendidos e seis prisões foram efetuadas.
As cidades que mais tiveram fios de cobre apreendidos são da região de Itajaí, Mafra, Blumenau e Balneário Camboriú. As prisões foram efetuadas em Chapecó, Blumenau, Indaial e Palhoça.