Guerra em Israel: projeto brasileiro de ‘pausa humanitária’ sofre pressão internacional na ONU

Projeto brasileiro para ajuda humanitária tem gerado pressões e controvérsias entre potências russas e americanas na ONU; voto aconteceria em reunião nesta segunda (16), mas pode ser adiado

Daniela Ceccon Florianópolis

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O Brasil, que atualmente ocupa a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) vem sofrendo pressões dos EUA e da Rússia por conta de um projeto que prevê uma espécie de “pausa” na guerra em Israel.

A ideia seria que o cessar-fogo fosse utilizado para tratar palestinos feridos, mas o texto, que deve ser votado em reunião nesta segunda, não tem gerado acordo entre forças americanas e russas, que divergem opiniões. As informações são do portal UOL.

Conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas já matou mais de quatro mil pessoas – Foto: Jaafar ASHTIYEH/AFP/NDConflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas já matou mais de quatro mil pessoas – Foto: Jaafar ASHTIYEH/AFP/ND

Uma reunião que deve decidir os próximos passos da ONU na guerra entre Israel e o grupo terrorista do Hamas, acontece na noite desta segunda-feira (16). No encontro, presidido pelo Brasil, o projeto do Itamaraty deve ser pautado, mas as divergências podem adiar o voto.

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Projeto gera discussões

Nos últimos dias, o governo brasileiro tem sido alvo de intensa pressão e lobby por parte dos governos de Joe Biden (EUA) e de Vladimir Putin (Rússia).

Para os Estados Unidos, o termo sugerido pelo Brasil, que estabelece um  “cessar-fogo humanitário” para permitir que os palestinos fossem atendidos, foi considerado como inaceitável. A Casa Branca teme que expressão possa sugerir que Israel não teria direito de se defender contra os ataques terroristas do Hamas, que começaram no sábado (7).

Como contrapartida, 0 governo brasileiro teria alterado o termo “cessar-fogo”, para “pausa humanitária”, período que seria usado para que os civis em Gaza possam ser atendidos. E ai, foi a vez da Rússia se pronunciar.

O governo russo quer que seja restabelecido o termo “cessar-fogo”, e que o texto traga uma referência explícita de condenação aos “ataques indiscriminados contra Gaza”, numa investida contra Israel e seus aliados ocidentais, como os Estados Unidos.

“Estamos convencidos de que nosso projeto atende às necessidades humanitárias da população civil de Gaza e não contém elementos políticos que podem dividir o Conselho de Segurança da ONU”, disse o embaixador russo Dmitry Polyanskiy.

Votação é urgente mas pode ser adiada

A discordância entre os EUA e a Rússia pode levar ao adiamento do voto do projeto, que aconteceria na reunião desta segunda. Enquanto isso, o Brasil segue com a expectativa de que nenhuma das potências vete o texto, já que ele precisa ser aprovado de forma unânime.

Conselho de Segurança da ONU está sendo presidido pelo Brasil e deve votar projeto nesta segunda - Foto: Ricardo Stuckert/PR/NDConselho de Segurança da ONU está sendo presidido pelo Brasil e deve votar projeto nesta segunda – Foto: Ricardo Stuckert/PR/ND

Questionado sobre o anúncio dos russos sobre as emendas ao texto brasileiro, o governo apenas indicou que estava em diálogo com as partes envolvidas.

A reunião do Conselho está marcada para ocorrer nesta segunda-feira, em Nova York, e começa às 19h de Brasília. Há sete anos o Conselho da ONU não chega a um consenso sobre a questão entre Israel e Palestina.

*Com informações do portal UOL