Há um ano Simone Bordin viu, pela janela da casa em que morava, em Joinville, uma cena que nunca mais ficará perdida em sua memória. Na madrugada do dia 29 de novembro de 2019, ela presenciou, sem conseguir fazer nada, o padrasto da filha encostar uma arma na cabeça da adolescente, apertar o gatilho, assassiná-la e tirar a própria vida na sequência. Segundos tão rápidos, mas que nunca mais serão esquecidos. João Fábio Salles da Silva tinha 43 anos.
João Fábio Salles Borba matou Maria Clara Bordin com um tiro e depois tirou a própria vida – Foto: Redes SociaisDias após o assassinato de Maria Clara Bordin, Simone prestou depoimento na Delegacia de Homicídios. “Eu não consigo acreditar que ele fez isso com a minha filha. Ele assassinou a minha filha, na minha frente, uma criança que não tinha culpa de nada. Ela só tinha 12 anos. Ele levou tudo, os sonhos dela, tudo”, disse à época. Agora, um ano depois, ela não consegue falar sobre o dia em que a filha foi arrancada dela.
“Eu cheguei na janela e os dois estavam sentados no sofá-cama que eu dormia com ela, na sala. Não deu tempo para nada. Ela não teve tempo de reação. Ele atirou na cabeça dela. Não falou nada, só me olhou, viu que eu estava vendo e atirou. Depois ele levantou e eu achei que fosse me matar, mas não, ele atirou na própria cabeça. Ele estava esperando que eu aparecesse na janela. Ele queria que eu visse a morte da minha filha. Ele não atiraria enquanto eu não chegasse na janela. Não falou nada, só atirou”, contou à época.
SeguirUm ano depois, o caso está solucionado e não há qualquer dúvida a respeito da autoria do crime, explica o delegado Dirceu Silveira Júnior. “Os exames periciais foram extremamente conclusivos, principalmente com relação ao residuográfico encontrando chumbo em uma das mãos do autor indicando que realmente foi ele quem efetuou os disparos de arma de fogo que vitimaram a menor de idade e a própria vida dele. Não existe nenhuma dúvida com relação a autoria do crime”, fala.
O delegado lembra, ainda, que o casal tinha um bom relacionamento e tinham voltado de um evento social quando João se adiantou, entrou em casa, trancou a porta e cometeu o crime. “A mãe assistiu a cena pela janela do lado de fora da residência”, reforça.
A arma utilizada no crime era de João. Segundo o delegado, a arma era uma herança da família e não possuía documentação.
Relembre o caso
O crime aconteceu por volta de 1h no bairro Iririú. João Fábio Salles da Silva, que era radialista em uma rádio comunitária, havia saído com Simone Bordin para encontrar um casal de amigos em uma lanchonete depois que ela saiu do trabalho. Apesar de separados, os dois mantinham um bom relacionamento e Simone e Maria Clara ainda moravam na mesma casa que João devido a problemas financeiros.
Ao chegar em casa, Simone avisou que iria dormir na mãe. João entrou em casa e trancou a porta. Quando a mãe chamou pela filha, conta que ouviu: “mãe, ele trancou a porta”. Quando Simone se aproximou da janela, viu o crime acontecer. Ela acionou a polícia, mas os dois morreram na hora.