Um homem de 35 anos foi preso após bater na ex-companheira e tentar fugir pelo telhado de uma casa em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, na tarde desta quinta-feira (29), por volta das 16h. A mulher já tinha medida protetiva de urgência contra o homem, que não o impediu de cometer o crime.
Índices de violência doméstica crescem em Santa Catarina, incluindo feminicídio e estupro – Foto: Pexels/Karolina Grabowska/Reprodução/NDHomem tentou escapar pelo telhado
O fato foi registrado na rua Rio Negrinho, no bairro São Vicente em Itajaí. Após ser agredida, a mulher ligou para a Polícia Militar que, ao chegar no local, foi avisada pela vítima de que o agressor estava fugindo pelo telhado da casa.
Na sequência, o homem tentou escapar pulando de casa em casa, mas foi pego poucos metros à frente. Ele foi preso e conduzido à Central de Plantão Policial de Itajaí.
SeguirViolência doméstica em SC
De acordo com informações do TJSC (Tribunal Judiciário de Santa Catarina) e do Observatório da Violência Contra a Mulher, plataforma de monitoramento do Estado de Santa Catarina, já foram requeridas mais de 12,1 mil medidas protetivas apenas nos primeiros cinco meses de 2023 em SC.
O número corresponde à metade do número de medidas protetivas registradas em 2022, que foi de 23,3 mil. Quanto aos feminicídios, o Estado teve 56 casos no ano passado e, até maio deste ano, 24 mortes de mulheres por violência doméstica.
As regiões do Vale e Norte catarinense são líderes em feminicídio no Estado, sendo ambas com sete casos registrados em 2023. O município de Itajaí, no Litoral Norte, teve a morte de quatro mulheres por feminicídio em 2022 e dois registros de janeiro a maio deste ano.
Com base em dados do Nest-SC (Núcleo de Estatística e Análise Criminal) que levam em conta os casos de agressão corporal contra mulheres no período de janeiro a maio de 2020 a 2023, Santa Catarina já registra cerca de 7,4 mil ocorrências do gênero neste ano.
Os números vêm aumentando desde 2020, quando ocorreram pouco mais de 6,1 mil agressões em todo o Estado no mesmo período. No ano seguinte, 2021, os dados permaneceram semelhantes, saltando para quase 7 mil em 2022.
Ao todo, quase 15,1 mil mulheres foram agredidas em 2021 e 16,5 mil em 2022.
Analisando o panorama das agressões em Itajaí nos cinco primeiros meses de cada ano, foram 200 registros em 2020 passando para 211 no ano seguinte, 270 em 2022 e 335 neste ano.
Nesse sentido, também é importante destacar os casos de estupro cometidos em SC. Ainda de acordo com os dados do Nest, o número de violências sexuais contra mulheres registrado em 2021 e 2022 ficou próximo de 1,3 mil, chegando a 553 até maio de 2023.
A nível local, Itajaí teve em média 15 estupros nos cinco primeiros meses de cada ano desde 2020.
É fundamental destacar que, conforme um estudo de março do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o Brasil passa por uma situação crítica quanto à violência contra a mulher. Cerca de 822 mil casos de estupro ocorrem anualmente no país, ou seja: a cada minuto que passa, duas mulheres são estupradas.
Para piorar, destes 822 mil estupros, a pesquisa também aponta que apenas 8,5% chegam ao conhecimento da polícia e 4,2% ao sistema de saúde. Assim, além do risco de gravidez, a maior parte das vítimas fica sem o apoio da Saúde.
Consequentemente, as chances aumentam para o desenvolvimento de depressão, ansiedade, impulsividade, distúrbios alimentares, sexuais e de humor, alteração na qualidade de sono, além de que o estupro pode ser um fator estimulante de comportamentos suicidas.