Guilherme Tenfen Soares, morador de Florianópolis, enfrentou uma situação desastrosa durante um passeio de patinete elétrico na Avenida Beira-Mar Norte. No dia 22 de julho de 2023, o final de tarde se tornou uma experiência dolorosa quando, segundo ele, o freio do aparelho falhou, resultando em uma queda abrupta sobre o meio-fio, fraturando a tíbia de Guilherme.
“Eu senti uma dor muito forte. Na hora fiquei um pouco paralisado para processar o que tinha acontecido. Não conseguia levantar e a minha perna latejava de dor. Eu sentia meu coração bater no local do machucado”, relata o que aconteceu no dia.
Guilherme já está parado há mais de três meses – Foto: Arquivo Pessoal/NDAos 35 anos, o fotografo enfrentou não apenas a dor física, mas também o impacto emocional de uma lesão grave. A preocupação se estendeu à mãe, de 71 anos, portadora de síndrome do pânico e depressão, que depende dele para as tarefas domésticas, além do fiel escudeiro de quatro patas, Elvis, o cachorrinho da família.
SeguirEle relata que, conforme as pessoas iam tentando esticar a perna machucada, ele sentia como se tudo estivesse desmontado por dentro: “era como se tudo tivesse fora do lugar, rótula, joelho, canela, eu achei que tinha esmigalhado tudo”, conta.
Diagnóstico da fratura
No hospital, o raio-x revelou o diagnóstico: “fratura cominutiva articular na tíbia”, ou seja, Guilherme quebrou a tíbia (osso da canela) em vários pedacinhos e seria preciso colar os ossos novamente.
Para isso, o médico explicou para o fotógrafo a necessidade de procedimentos delicados, incluindo a aplicação de fixadores temporários antes da cirurgia definitiva. Ele teria que ficar internado por um período entre três semanas a um mês, sendo privado temporariamente, da própria autonomia.
“As primeiras coisas que me vieram a cabeça foram meu cachorro, minha mãe e meu trabalho. Aquilo ali foi o baque. Se até então a ficha não tinha caído, ali, caiu”, conta como se sentiu.
Acidente de patinete afetou o psicológico
E com os passar dos dias a ficha caía cada vez mais, diz Guilherme, que diz ter ficado com o psicológico bastante afetado por tudo isso.
O morador relata que nunca se imaginou na situação – Vídeo: Arquivo Pessoal/ND
“Tomei banho de leito, não pude nem tomar banho no chuveiro. Porque assim, eu tive que perder o meu pudor. Tive que perder esses tabus. As pessoas me viram fazendo as necessidades. Eu nunca imaginei que teria que passar por isso por causa de um patinete que o freio falhou”, complementa.
Após o retorno para casa, o processo de recuperação continuou, mas três meses se passaram, e Guilherme ainda não pôde retornar ao trabalho. As muletas tornaram-se o suporte diário.
Guilherme enfrenta dificuldade financeiras
Além do desafio físico, Guilherme enfrenta dificuldades financeiras. Sem trabalhar há três meses e com a perspectiva de mais três, os gastos com remédios, curativos, despesas da casa e o suporte necessário para a mãe idosa pesam nos ombros.
Além do prejuízo físico, o fotógrafo tem que arcar com o financeiro também – Foto: Ada Bahl/NDNa busca por justiça, Guilherme tomou a iniciativa de entrar em contato com a empresa Whoosh, responsável pelos patinetes elétricos em Florianópolis, preenchendo formulários e fornecendo documentos relevantes.
No entanto, o fotógrafo informa que não recebeu uma resposta por parte da empresa [até a realização da entrevista].
O que diz a Whoosh?
A equipe de suporte da Whoosh, empresa responsável pelos patinetes elétricos que circulam em Florianópolis, confirmou que recebeu a reclamação de Guilherme, no dia 3 de agosto, e conta que desde então vem trabalhando no caso.
No relato, a empresa destaca que o fotógrafo não mencionou nenhum defeito específico, apenas que ‘perdeu o controle’. Em resposta, a Whoosh encaminhou Guilherme para a corretora, que agora cuida do processo de pagamento do seguro.
A empresa esclarece que, apesar de parecer que o incidente não foi provocado por falhas nos freios ou qualquer outro aspecto técnico do patinete, a equipe de assistência da empresa está seguindo o procedimento padrão de verificar as condições técnicas do veículo, bem como seus registros de manutenção.
Empresa garante segurança no uso dos patinetes – Foto: Léo Munhoz/NDA Whoosh enfatiza que todas as scooters são limitadas a 20 km/h de velocidade, e a responsabilidade pela velocidade de utilização e distância de frenagem recai sobre o usuário. A empresa encoraja usuários inexperientes a escolherem o modo de baixa velocidade disponível no aplicativo.
Em relação à segurança, a empresa destaca iniciativas como as Blitz Educativas, campanhas educativas em parceria com a Prefeitura de Florianópolis, além do Guia de Segurança disponível no aplicativo. Estatísticas internas da Whoosh indicam uma baixa taxa de incidentes em Florianópolis, com apenas 1 incidente a cada 45 mil viagens, tornando o patinete um meio de transporte estatisticamente seguro.
Além disso, a Whoosh conta com um sistema em nuvem que monitora todas as viagens, realizando apurações internas em caso de incidentes e sendo solidária com investigações legais, possuindo também seguro para usuários, mediante registro de ocorrência e envio de documentação.