Homem que caiu do mirante do Morro da Cruz foi achado após ficar cinco horas na mata

Homem pedia ajuda em meio ao matagal a mais de 50 metros do mirante; ele caiu 7h30 e foi encontrado por volta das 12h30

Foto de Valeska Loureiro

Valeska Loureiro Florianópolis

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Em uma operação complexa realizada pelo CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina), foi necessário cerca de 2h30min para resgatar o homem de 38 anos que caiu no mirante do Morro da Cruz, no Centro de Florianópolis.

A queda ocorreu ontem, por volta das 7h30, enquanto o homem tentava tirar fotos perto do parapeito do local, informaram os agentes.

De acordo com o subtenente da CBMSC, Ricardo Angelo, a vítima estava há 50 metros do mirante, em meio a mata fechada. Ele só foi encontrado por volta das 12h30min, por turistas que estavam no local e ouviram o pedido de socorro.

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Resgate foi realizado próximo às 16h. A vítima foi encaminhada para o Hospital Celso Ramos – Foto: Leo Munhoz/NDResgate foi realizado próximo às 16h. A vítima foi encaminhada para o Hospital Celso Ramos – Foto: Leo Munhoz/ND

“Eu comecei a escutar ‘socorro, socorro’. De início achamos que era brincadeira. Na hora que ele disse ‘me ajuda’, vimos que era sério”, conta a estudante Daniela Satake, que estava no mirante com o marido e o filho para apresentar o local para um amigo.

Em seguida, Daniela e família acionaram o 193, número de emergência dos bombeiros militares, e os combatentes compareceram ao local por volta das 13h15.

“Ele estava com uma voz bem fraca quando o ouvimos. Ele perguntou o horário, mas não soube nos dizer naquele momento que horas ele caiu. Quando questionamos se ele estava com dor, de 0 a 10, ele disse 8”, revela Daniela.

Nos primeiros socorros, os combatentes suspeitaram de lesão no quadril e risco de hipotermia, já que os termômetros marcavam 19°C, e estava um vento forte e gelado, com chuvas no decorrer do dia.

“Ele estava com muita dor. A todo momento estávamos mantendo ele orientado e conversando com ele. Várias vezes ele fechava os olhos. Estava exausto”, declara o subtenente Angelo, que estava junto com a vítima na mata fechada, no momento do resgate. Após o resgate, a vítima ficou sob os cuidados do SAMU.

Como funcionou o resgate

O resgate contou com uma equipe de quatro combatentes juntamente com a vítima e mais de 13 bombeiros no mirante realizando a instalação de equipamentos para retirá-lo da mata.

O resgate contou com uma equipe de mais de 15 combatentes – Foto: Leo Munhoz/NDO resgate contou com uma equipe de mais de 15 combatentes – Foto: Leo Munhoz/ND

Segundo o subtenente, o Corpo de Bombeiros do Centro foi a primeira equipe a chegar no local e realizar as primeiras avaliações na vítima.

“Nossa principal dificuldade foi o acesso até ele. Descemos pelo mato, abrindo caminho com a mão e facão, até chegar nele. Quando vimos que ele estava estável, a equipe responsável lá em cima conseguiu trabalhar melhor no sistema de ancoragem que o ajudou a puxar para cima”, explica.

O subtenente conta que os combatentes que estava com a vítima tiveram que se dividir em três equipes: uma responsável pelo atendimento pré-hospitalar e cuidando do psicológico, outra equipe limpando a clareira com serra e facão, e outra equipe cuidando do sistema de ancoragem e direção de força para trazer ele para cima.

“O sistema de ancoragem funcionava da seguinte forma: enquanto o pessoal de lá puxava, a gente ia levantando ele da pedra. Para quem ouviu a operação era ‘puxa’ e ‘para’ todo o tempo. A grande verdade é que a gente preza pela qualidade do atendimento à vítima.

Ele tinha que ficar o mais estável possível e não sabíamos se na queda ele poderia estar com uma lesão cervical ou não. Quando o encontramos ele estava totalmente inclinado de cabeça pra baixo”, relata o oficial.

No mirante, a outra equipe de bombeiros ficou responsável em montar a estrutura que tirou o homem da mata.

“Foi uma operação muito complexa. O ângulo era difícil por causa das diversas árvores no meio do caminho. Utilizamos a técnica de tripé com redução de força de 3 por 1, onde eles nos comunicam embaixo, através do rádio, o tempo e a distância que tinha que puxar”, declara o subtenente de busca e salvamento, Saulo Natanael da Silva

“A operação mais importante era lá embaixo, porque eles tiveram que estabilizar a vítima, deixar ele pronto para subir. Não ia adiantar de nada puxar rápido, de qualquer jeito. Tivemos que fazer um padrão para que não se agravasse mais do que já estava”, finaliza Natanael.

Somente, 15 minutos antes das 16h, que o homem foi retirado da mata e atendido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Ele foi encaminhado para o Hospital Celso Ramos.

Cuidados

Ao visitar lugares altos, como mirantes, é importante tomar precauções para garantir a segurança e evitar acidentes graves. O subtenente Natanael destaca algumas recomendações necessárias para que acidentes como esse não voltem a se repetir.

A vítima estava há 50 metros do mirante, em meio a mata fechada – Foto: Leo Munhoz/NDA vítima estava há 50 metros do mirante, em meio a mata fechada – Foto: Leo Munhoz/ND

“As pessoas devem se aproximar com total cuidado. Por isso que existe uma regra de parapeito acima do umbigo para que a pessoa não perca o equilíbrio e caia. Não tentar ultrapassar o guarda-corpo. Eu não sei o que ele fez, nem como ele fez, mas ele ultrapassou, coisa que não se deve fazer”, enfatiza.

Outros cuidados necessários envolvem reconhecer o local e os perigos que ele pode trazer. Ultrapassar o guarda-corpo é algo extremo, mas se inclinar e tentar se equilibrar já pode trazer riscos sérios. Se o visitante estiver com crianças, a atenção deve ser redobrada, sempre segurando a mão e evitando que chegue perto do parapeito, como explica Natanael.

Sinalizações

A responsabilidade de instalar placas de sinalização é da prefeitura. No local, não havia nenhuma sinalização indicando altura ou perigo no local.

Conforme a PMF (Prefeitura Municipal de Florianópolis), a instalação é um trabalho feito a partir da avaliação de técnicos, “que até então não entendiam que o local necessitava dessa estrutura, visto que é um mirante, ou seja, quanto menos poluição visual melhor”.

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