Homem que matou morador de rua após briga por cachaça é condenado em SC

Júri condenou o autor do homicídio a mais de 15 anos de prisão por matar vítima com dez facadas no dia 20 de abril de 2021, no bairro Bela Aliança, em Rio do Sul

Kelley Alves Rio do Sul

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O Tribunal do Júri de Rio do Sul se reuniu na quinta-feira (31) para decidir o futuro de José Ari Felau, de 46 anos. Ele foi para o banco dos réus por matar o morador de rua José Carlos Ribeiro, de 63 anos, em abril do ano passado, em uma parada de ônibus, no bairro Bela Aliança, em Rio do Sul.

O morador de rua foi morto após uma discussão por bebida – Foto: Reprodução/RBA/NDO morador de rua foi morto após uma discussão por bebida – Foto: Reprodução/RBA/ND

Após quase seis horas de audiência, o juiz Cláudio Márcio Areco Júnior anunciou a sentença. O acusado, que participou da audiência em um hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, em Florianópolis, foi condenado a pena de 15 anos, seis meses e 19 dias de reclusão em regime inicialmente fechado.

Conforme o relato do promotor Felipe Neiva, o acusado e a vítima teriam se encontrado na madrugada do dia 20 de abril de 2021 e, quando José Carlos negou dar cachaça para José Ari este último desferiu dez golpes de faca contra o idoso.

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O autor, segundo o relato do promotor, teria ido para casa tranquilamente após o homicídio e dormido, inclusive, com as roupas sujas de sangue.

Polícia Civil prendeu o então suspeito no dia do crime

Quando os bombeiros chegaram para socorrer a vítima, o homem já estava morto. No mesmo dia, cinco horas após o crime, a Divisão de Investigação Criminal acessou as câmeras desta localidade e conversou com populares conseguindo identificar o responsável pelo homicídio.

Eles foram até a residência dele, no bairro Santa Rita, onde José Ari confessou o crime. O homem jogou a arma utilizada em um rio, mas as vestes, ainda sujas de sangue, foram encontradas pela Polícia Civil.

Quando cumpriu o mandado de prisão no ano passado, a Polícia Civil recolheu a roupa que o criminoso estava quando matou o mendigo – Foto: Divulgação/Polícia Civil/NDQuando cumpriu o mandado de prisão no ano passado, a Polícia Civil recolheu a roupa que o criminoso estava quando matou o mendigo – Foto: Divulgação/Polícia Civil/ND

O homem foi levado para o Presídio Regional de Rio do Sul, mas pouco tempo depois foi encaminhado para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. Segundo o promotor, ele está internado nesta instituição de custódia, onde foi feito um laudo psiquiátrico, constatando que ele é semi-imputável.

“Isso quer dizer que ele tinha conhecimento da ilicitude do fato, mas não conseguia se determinar, de acordo com esse entendimento. O código penal, em seu artigo 26, prevê uma redução de pena nesses casos, o que foi reconhecido em favor do réu”, explica o promotor.

Ele deve permanecer internado até que melhore o quadro para, então, ser encaminhado para uma penitenciária comum.  O Tribunal do Júri iniciou às 10h30, com o sorteio de jurados e intervalo organizacional.

Com retorno às 12h e apresentação da prova, debates, votação, sentença e assinatura de ata, a sessão terminou às 17h40. Ela foi transmitida ao vivo pelo canal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina no Youtube.

A defesa do condenado ainda pode recorrer da decisão.

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