Um influenciador digital de Joinville, no Norte catarinense, foi alvo da 3ª fase da operação Falso Profeta, deflagrada nesta quinta-feira (30) em sete estados. Segundo a Polícia Civil, ele é suspeito de integrar uma organização criminosa que aplicava golpes em todo o país.
Durante o cumprimento do mandado no endereço do influenciador, na zona sul da cidade, agentes apreenderam celulares e computadores. Além disso, foi cumprida uma ordem de bloqueio e proibição de acesso às redes sociais.
Operação cumpriu 16 mandados de busca e apreensão – Vídeo: PCDF/Divulgação/ND
SeguirOutros alvos no Brasil
Ao todo, a terceira fase da operação cumpriu 16 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em outros seis estados: Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Os alvos foram cinco líderes religiosos, advogados e influenciadores digitais. Não houve prisões.
Entre os materiais apreendidos, estão diversos documentos, eletrônicos, papéis-moedas fictícios usados para enganar as vitimas, falsos títulos financeiros e falsos contratos.
Golpe milionário com promessas absurdas
Segundo as investigações, o golpe era aplicado por meio de conversas enganosas nas redes sociais, explorando a fé alheia e crenças religiosas. O grupo criminoso utilizava uma teoria conspiratória chamada Nesara Gesara para convencer as vítimas — em sua maioria evangélicas — a investirem suas economias em falsas operações financeiras ou supostos projetos de ações humanitárias. Em troca, prometiam retornos financeiros imediatos e lucros exorbitantes.
A Polícia Civil revelou que os criminosos contavam com o apoio de lideranças religiosas para persuadir as vítimas a realizar depósitos, utilizando promessas irreais de enriquecimento. Em algumas ofertas, alegavam que um investimento de apenas R$ 25 poderia render um octilhão de reais. Em outro caso, garantiam que um aporte de R$ 2 mil resultaria em um retorno de 350 bilhões de centilhões de euros.
Em Joinville, um influenciador foi alvo da operação – Vídeo: Polícia Civil/Divulgação/ND
As autoridades estimam que mais de 50 mil pessoas, no Brasil e no exterior, tenham sido lesadas. O esquema movimentou mais de R$ 156 milhões e envolveu crimes como estelionato, falsificação de documentos, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem tributária e organização criminosa.
Um dos maiores golpes já investigados no Brasil
De acordo com a investigação, iniciada há mais de dois anos, o grupo criminoso contava com cerca de 200 integrantes, incluindo dezenas de supostos pastores evangélicos. Essas lideranças religiosas eram responsáveis por convencer as vítimas de que haviam sido “escolhidas por Deus” para receber a chamada “Bênção” — o dinheiro prometido pelos fraudadores.
Ao longo da apuração, quatro pessoas foram presas preventivamente e condenadas por estelionato. No entanto, mesmo após ampla repercussão do caso, o grupo seguiu aplicando os golpes.
Operação Falso Profeta
A operação “Falso Profeta” foi coordenada pela PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal) e contou com o apoio da Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado), da DCE/DIC Joinville (Delegacia de Combate a Estelionatos) e da 5ª Delegacia de Polícia de Joinville.